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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Bonsaglia vê ‘retrocesso’ em escolha de PGR

Equipe BR Político

O subprocurador-geral Mario Bonsaglia, mais votado na lista tríplice elaborada pela Associação Nacional do Procuradores da República (ANPR), lamenta a escolha de nome feita pelo presidente Jair Bolsonaro para assumir a PGR. Ao escolher o subprocurador-geral Augusto Aras, que concorria por fora da tríade da ANPR, o presidente rompeu com uma forma de escolha que havia começado em 2003. Para Bonsaglia, ignorar a lista tríplice compromete a “autonomia institucional” do MPF. “A lista funciona como um contrapeso ao poder presidencial de escolha”, diz ao Estadão.

O subprocurador Mário Bonsaglia, primeiro nome na lista tríplice para comando da Procuradoria-Geral da República

O subprocurador-geral Mário Bonsaglia. Foto: Amanda Perobelli/Estadão

Bonsaglia já esteve duas vezes na relação elaborada pela ANPR, e tinha o apoio do ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, e de integrantes de forças-tarefa da Lava Jato. Para o subprocurador, a indicação por fora da lista é um retrocesso de décadas para o MPF. Ele defende, inclusive, que a escolha por meio da lista tríplice vire lei.

Bonsaglia não vê a questão como algo corporativista, mas sim “de interesse para toda sociedade, que é beneficiada pela atuação independente do Ministério Público”, afirma. “A constitucionalização da lista tríplice para escolha do PGR é uma necessidade para consolidar a autonomia que a Constituição já prevê para o Ministério Público. Há uma evidente lacuna no texto constitucional com relação ao MPF”.