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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

BR18 Analisa: A hora de fazer contas: defensores da reforma querem votar Previdência nesta terça

Marcelo de Moraes

Por Marcelo de Moraes

Tentada por todos os governos, a reforma da Previdência pode finalmente dar um grande passo na direção de sua aprovação na Câmara nesta terça-feira. O presidente da Câmara, Rodrigo Maia, os líderes do Centrão e integrantes do governo passaram os últimos dias mapeando seus apoios para conseguir iniciar a votação da reforma. A ideia é garantir a aprovação em dois turnos até o fim da semana, o que seria um resultado extremamente expressivo. Se isso acontecer, a proposta seguirá a para a apreciação do Senado antes do recesso parlamentar e terá, pela primeira vez, um conteúdo que pode garantir a reconstrução do combalido sistema previdenciário nacional.

Por causa disso, Maia e seus aliados mais próximos passaram o dia mobilizando as bancadas para que os deputados estejam presentes em massa logo na terça de manhã. Como a proposta precisa de 308 dos 513 votos possíveis para ser aprovada, o presidente da Câmara sabe que será necessário um quórum muito elevado para impedir surpresas. E essa mobilização garantiu que, antes das 19 horas de segunda, 254 deputados já tivessem registrado presença na Casa. É um quórum muito elevado para um dia em que, normalmente, o Congresso fica às moscas.

Um inimigo em cada esquina. Há todo um cuidado para impedir que corporações e categorias tenham sucesso na tentativa de emplacar algum destaque que atenda seus interesses e reduza o alcance fiscal da proposta. A maior preocupação se concentra nos parlamentares ligados às atividades de segurança. E, como sempre, o maior risco está na imprevisível bancada do PSL, partido do presidente Jair Bolsonaro. A oposição também promete obstruir e atrapalhar ao máximo o andamento da sessão. Mas os deputados do grupo sabem que, sozinhos, não têm força para barrar a proposta. Somente uma aliança com outros setores insatisfeitos poderá dar algum poder de fogo para a oposição nessa discussão.

O pai da criança. Depois de todas as dificuldades enfrentadas até agora, Rodrigo Maia e os principais líderes defensores da reforma têm feito questão de assumir a paternidade da – até agora – bem sucedida articulação para aprovar a reforma da Previdência. O presidente da Câmara foi explícito na reivindicação do crédito do sucesso para os deputados. No seu podcast desta segunda, Maia afirmou que se a reforma sair vitoriosa, isso será fruto da construção conduzida pelo Congresso. “Não foi uma construção do governo”, deixou claro, afirmando ainda que o governo “atrapalhou” essas negociações algumas vezes. “Mas nas últimas semanas está ajudando”, apaziguou.

Eu sei o que você fez no verão passado. Maia e os líderes partidários querem evitar que o governo contabilize a aprovação da reforma sem merecer. Um líder do Centrão lembra que o governo “fez tudo errado” durante as negociações da proposta. Os deputados também não se esquecem que durante o anúncio da conclusão do Acordo de Livre Comércio entre Mercosul e União Europeia, o Planalto saiu batendo bumbo como se tivesse feito toda essa negociação sozinho. As conversas, na verdade, duraram vinte anos e passaram por vários governos. Além disso, antes da posse, o presidente Jair Bolsonaro e o ministro da Economia, Paulo Guedes, costumavam criticar abertamente o Mercosul e não sinalizavam com acordos entre blocos. Com as barbas de molho, os deputados querem impedir que o governo repita essa faturada com o chapéu alheio na Previdência.

As férias de Moro. O ministro da Justiça, Sérgio Moro, provocou balbúrdia hoje entre seus críticos por conta da licença sem vencimentos que vai tirar em julho por motivos particulares. No centro da polêmica do vazamento de mensagens suas com procuradores da Lava Jato, Moro foi criticado por estar tirando férias – curtas – antes mesmo de completar um ano de serviço. Além disso, a oposição questionou se Moro não estaria se afastando apenas para tentar desviar das críticas que vem sofrendo pelo vazamento das mensagens. Segundo pessoas próximas do ministro, ele vai apenas tirar férias.