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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

BR18 Analisa: Avanço nas reformas é boa resposta para turbulências externas, mas será suficiente?

Equipe BR Político

Por Marcelo de Moraes

Os investidores brasileiros sentiram, nesta semana, como a economia do País ainda pode sofrer com os efeitos do cenário internacional. O risco da batalha comercial entre Estados Unidos e China se transformar numa guerra cambial derrubou as bolsas pelo mundo afora e a brasileira, claro, foi parar no mesmo buraco. Como os mercados estão se movendo ao sabor dos ventos dessa crise, a calmaria externa desta terça, 6, trouxe alívio e fez a Bolsa se recuperar do tombo do dia anterior. Ou seja, nas últimas 48 horas, os investidores brasileiros tiverem de rebolar conforme a música tocada no exterior.

Para o Brasil, será uma má notícia se turbulências desse tamanho se repetirem seguidamente. Especialmente, porque isso aconteceria num momento em que o País consegue, finalmente, avançar em reformas estruturantes, como a previdenciária e a tributária, além de poder votar propostas importantes como a MP da Liberdade Econômica. Do lado do Banco Central, também houve um significativo sinal positivo com a queda dos juros de 6,5% para 6,0%, podendo cair ainda mais. Se o cenário externo não atrapalhar, essas votações têm potencial para abrir o caminho da retomada do crescimento econômico. Mas com o pau cantando no exterior, essas medidas correm o risco de não produzir o efeito esperado. Mesmo assim, não dá para ficar sem elas. Ainda mais se a crise entre Estados Unidos e China se ampliar.

Velha política. Finalmente convencido que não dá para arriscar a aprovação da reforma, o Planalto não teve dúvidas em meter o pezinho lá na “velha política”. Topou remanejar recursos orçamentários na ordem de R$ 3 bilhões para poder cumprir a liberação de emendas prometidas aos deputados e garantir a votação da Previdência no segundo turno. Com as emendas travadas, parlamentares já ameaçavam emperrar a proposta.

Cada um quer uma coisa. Se a reforma da Previdência deve encontrar um terreno fértil para prosperar também no Senado, a discussão tributária parece que vai demandar muita capacidade de articulação. Há quatro propostas sobre a mesa e poucos consensos. A novidade é que os governadores se reuniram, nesta terça, 6, com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, para apresentar suas ideias sobre o tema e defender a revogação da Lei Kandir. Será um desafio encontrar um denominador comum nessa negociação.

Mil guerras por dia. No momento em que a economia exige que o governo esteja cada vez mais concentrado no andamento dessas medidas estruturantes, Jair Bolsonaro preferiu seguir sua rotina de abrir várias novas frentes de batalhas. Bateu nos governadores do Nordeste, atacou o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e publicou medida provisória acabando com a obrigatoriedade da publicação de balanços nos jornais impressos.

Retaliação. No caso da MP, Bolsonaro afirmou que sua decisão foi uma “retribuição” à forma como foi tratado pela imprensa durante a campanha presidencial. “Sem televisão, sem tempo de partido, sem recursos, com quase toda a mídia o tempo todo esculachando a gente. Racista, fascista e seja lá o que for. No dia de ontem, eu retribuí parte daquilo que grande parte da mídia me atacou”, disse o presidente, durante evento em Itapira (SP). A MP, porém, deve encontrar resistência no Congresso, a começar pelo presidente da Câmara, Rodrigo Maia.

CPI das Aéreas no radar. No Senado, os parlamentares aumentaram a cobrança contra a política de preços das passagens nacionais praticada pelas companhias aéreas. Com o mercado concentrado pela existência de poucas companhias, o preço das passagens disparou e, na visão da senadora Kátia Abreu (PDT-TO), de forma abusiva. Depois de audiência pública na Comissão da Infraestrutura para tratar do assunto com representantes do governo, do Cade e da Anac, a gritaria foi geral. Kátia defendeu – e foi apoiada – a abertura de uma CPI, caso não surjam medidas satisfatórias. “Pago passagem de R$1,8 mil de Brasília para o Tocantins e, para Miami dá R$ 1,5 mil. Para Cancún, no México, dá R$ 3 mil, ida e volta. Para o Tocantins, dá os R$ 3 mil, 1 hora e 15 minutos de voo”, reclama Kátia. “Os preços de passagem estão nas alturas, a concentração está elevadíssima e, se não tivermos uma providência – nós fizemos um compromisso hoje na Comissão de infraestrutura –, nós faremos uma CPI das aéreas. Sem o menor constrangimento. Nós não queremos fazer nada na marra, mas abram os números! O Cade teve a coragem de confessar hoje que os números são obscuros. Não sabe calcular, não sabe como é calculado o preço da tarifa. Aí eu fiquei com medo”, diz a senadora.