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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

BR18 Analisa: Bolsonaro adia escolha do PGR

Equipe BR Político

Por Vera Magalhães

A disputa pela Procuradoria-Geral da República embolou, e Jair Bolsonaro deve adiar a escolha do sucessor de Raquel Dodge.

Para tudo. O presidente fez um gesto na direção do subprocurador-geral José Bonifácio de Andrada, que entrou no páreo depois que o favoritismo do também subprocurador Augusto Aras foi abalado por uma campanha contra por parte de pessoas próximas ao presidente. O Planalto confirmou que a escolha, antes prevista para se dar até esta sexta-feira, deverá ficar para a próxima semana.

Climão. No interior do Ministério Público Federal, o clima é de apreensão. O desprezo demonstrado pelo presidente em relação à lista tríplice da categoria e a imprevisibilidade quanto ao critério que vai, afinal, definir a escolha, levam incerteza aos procuradores quanto à continuidade de investigações e procedimentos e à acolhida interna que o indicado terá.

Gestos. Ainda no páreo, Raquel Dodge segue fazendo gestos em direção ao governo. Deu parecer pelo arquivamento de uma representação que pedia abertura de investigação contra Sergio Moro no âmbito da Operação Spoofing. Isso depois de evidências de que segurou investigações que tinham o próprio Bolsonaro como pivô, como a denúncia de que abrigou funcionária-fantasma em seu gabinete de deputado.

Congresso. Enquanto isso, no Legislativo, a pauta econômica avança, a despeito da ausência de uma base parlamentar formal. Sinal de que Bolsonaro estava certo e “reinventou” a articulação política? Apoiadores do presidente dirão que sim, mas o fato é que a agenda econômica tem mais aderência no Parlamento que os demais projetos, entre eles os relativos a segurança e à pauta de costumes (que avançam a passos lentos ou sofrem derrotas).

Morde e assopra. Além disso, ao mesmo tempo em que votam matérias como a reforma da Previdência e a MP da Liberdade Econômica, deputados investem num grito de independência, avançando com projetos próprios, discutindo a limitação ao uso de instrumentos como decretos e MPs e aprimorando instrumentos que lhes garantam poder, como o Orçamento impositivo.

 

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