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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

BR18 Analisa: Bolsonaro cancela ida a Nova York

Equipe BR Político

Depois de sucessivas polêmicas envolvendo a entrega do prêmio de Pessoa do Ano, conferido pela Câmara de Comércio Brasil-EUA, a Jair Bolsonaro, o presidente desistiu da viagem que faria no dia 12 a Nova York para a cerimônia de entrega da láurea, marcada para o dia 14.

Em abril, o Museu de História Natural da cidade havia se recusado a sediar a entrega do prêmio, por avaliar que Bolsonaro não representava os valores da instituição, e citando a questão da proteção à Floresta Amazônica como razão.

Pulam fora. Em seguida, três patrocinadores do evento cancelaram suas cotas: o jornal Financial Times, a consultoria Bain & Company e a companhia aérea Delta Airlines.

Vaquinha. Por fim, nesta sexta-feira, 3, reportagem da Folha revelou que, na falta de outros patrocinadores, o Banco do Brasil e o consulado brasileiro em Nova York adquiriram mesas no evento – algo inédito na política de relacionamento do banco com os clientes.

Começo. O cancelamento da viagem fechou uma semana em que a agenda presidencial foi em grande parte ocupada pelo manejo da crise da Venezuela, que se agravou desde terça-feira, com a conclamação frustrada de Juan Guaidó a que as pessoas fossem às ruas para derrubar o ditador Nicolás Maduro.

Aula. Bolsonaro voltou ao tema durante cerimônia de formatura do Itamaraty. Disse aos formandos que quando a diplomacia fracassa, entram as Forças Armadas. Ele negou que fosse uma referência ao caso venezuelano, ao qual fez menção direta ao dizer que a única saída para derrubar é enfraquecer o Exército – sem deixar claro se isso deveria ser uma iniciativa das forças políticas internas ou se o Brasil teria alguma participação nisso.

Como Jesus. No mesmo evento, o chanceler Ernesto Araújo disse que diplomacia “não significa ficar em cima do muro”, e que diplomatas devem ter sangue nas veias. Para ele, o mundo está com os olhos postos sobre a Venezuela porque lá se trava uma luta “entre democracia e opressão”. Aproveitou o evento para tecer loas ao chefe, Bolsonaro, que comparou a Jesus Cristo. “A pedra que os órgãos de imprensa rejeitaram, a pedra que os intelectuais rejeitaram… Essa pedra se tornou a pedra angular do novo Brasil”, discursou. A pedra angular na Bíblia é Jesus.

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