por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

BR18 Analisa: Cai terceiro ministro de Bolsonaro

Equipe BR Político

Por Vera Magalhães

Jair Bolsonaro demitiu seu terceiro ministro, e o primeiro da ala militar do governo: caiu o general Carlos Alberto Santos Cruz, da Secretaria de Governo da Presidência. O que isso significa?

Vitória dos olavetes. Depois de investir pesadamente contra Santos Cruz no início de maio, sem sucesso, a autointitulada chamada ala anti-establishment do governo, aquela mais ideológica, ligada à extrema direita e ligada ao filófoso Olavo de Carvalho, logrou um tento ao derrubar um dos mais francos opositores à ocupação de cargos por aliados desse grupo em várias esferas do governo e do predomínio de suas pautas.

Histórico. Santos Cruz se opôs à extrema ideologização de postos como a Apex, agência que cuida das exportações, e do MEC, o Ministério da Educação, ambos inicialmente loteados de olavetes. O período de investida aberta de Olavo e seus seguidores, inclusive filhos do presidente, contra Santos Cruz foi rebatido pela defesa enfática feita por outros militares fortes no governo, como o general Eduardo Villas Bôas, ao colega de armas. Santos Cruz ficou, mas sua relação com Bolsonaro nunca mais voltou a ser o que era.

Rabanetes. Com a queda de Santos Cruz e o enfraquecimento de Sérgio Moro, outro pilar importante do governo, a ala ideológica vai ganhando espaço. A “forra” vem justamente depois de um período de relativo recolhimento de Olavo e de seus pupilos, além de Carlos Bolsonaro. Relativo porque nenhum deles deixou de estar ativo, e o ideólogo da Virgínia não aguentou nem uma semana sem publicar seus palavrões nas redes sociais. Vitória também do assessor especial de Bolsonaro para temas internacionais, Filipe Martins, que era um antípoda de Santos Cruz no Palácio do Planalto, além de animador da militância mais ideológica nas redes sociais.

E o Moro? Esse ainda continua ministro. Depois de dias de silêncio em relação à crise que atinge seu ministro da Justiça, Bolsonaro foi com ele ao jogo do Flamengo, em um gesto de apoio, e nesta quinta-feira deu a primeira declaração a seu favor, dizendo que o trabalho de Moro na Lava Jato “não tem preço” e que houve uma “ação criminosa” contra o ministro.

Mudança de tom. Depois de soltarem várias notas, vídeos e declarações evitando negar o conteúdo das conversas entre eles divulgadas pelo site The Intercept Brasil, Moro e o procurador Deltan Dallagnol passaram a aventar a possibilidade de que tenha havido fraude nos diálogos.

Mais coisa. Por sua vez, o editor do site, Glenn Greenwald, afirmou em entrevista ao programa Pânico, da Jovem Pan, da qual participei, que há material “mais explosivo” em relação à Lava Jato no material que ainda está por ser divulgado. Ele defendeu o interesse público da divulgação, ainda que o material tenha sido obtido de forma ilegal, e sua divulgação em pílulas.

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