por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

BR18 Analisa: Centrão recua, mas denuncia quebra de acordo

Vera Magalhães

Por Vera Magalhães

O Centrão ganhou uma batalha (tirou o Coaf de Sergio Moro) e recuou antes de perder outra (a restrição de poderes aos auditores fiscais) na votação da MP 870 na Câmara. O saldo, porém, foi a ampliação da revolta com a (falta de) articulação política do governo. E a fatura pode ser cobrada mais à frente.

Moro sem Coaf. Foi apertada a votação que devolveu o Coaf, órgão responsável pelo acompanhamento das movimentações financeiras atípicas, para a Economia, retirando-o do guarda-chuva de Sergio Moro. Faltaram 19 votos. Sinal de que a pressão das redes sociais e das ruas surtiu efeito sobre uma parcela dos deputados, mas o Centrão, a oposição e representantes dos grandes partidos conseguiram seu intento de desidratar os poderes do ministro da Justiça.

Receita fica para depois. No dia seguinte, um acordo resultou na retirada da MP da tentativa de limitar os poderes dos auditores fiscais. Pelo entendimento, eventuais abusos serão tratados em projeto específico, a ser votado no prazo de até duas semanas. A conferir se será mesmo. Por ora, foi um recuo do Centrão, mas que deixa cicatrizes.

Por que cicatrizes? Porque a ideia de incluir as restrições aos auditores na MP não foi do Centrão, mas de ninguém menos que o líder do governo no Senado, Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE). Alheios a isso, deputados do PSL passaram a fustigar os colegas nas redes sociais como se quisessem amordaçar os fiscais e o govero não tivesse nada com isso.

Gritaria. As reações vieram de vários partidos. O líder do DEM, Elmar Nascimento, chamou a atitude de “canalha” ainda na noite de quarta-feira. Pouco depois, Rodrigo Maia encerrou a sessão, deixando o desfecho da votação da MP para o dia seguinte. Ontem, coube a Arthur Lira (PP-AL) anunciar o acordo, mas deixando claro que a relação está azeda: também lembrou a cronologia da emenda dos auditores e deu a entender que o governo não tem liderança no Congresso.

Vem mais por aí. E nada indica que as relações serão pacificadas. Os atos de domingo deverão jogar mais combustível na fogueira em que tentam queimar o parlamento, com reações previsíveis. Além disso, o líder do PSL no Senado, Major Olímpio, anunciou uma articulação para tentar devolver o Coaf a Moro na Casa e comemorou a retirada do “jabuti criminoso” dos auditores da MP. Provocou uma resposta do presidente da Comissão Especial da Reforma da Previdência, deputado Marcelo Ramos (PR-AM), dizendo que o jabuti criminoso era da lavra do… líder do governo

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