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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

BR18 Analisa: Comissão aprova reforma, mas Bolsonaro se desgasta com eleitorado da área de Segurança

Marcelo de Moraes

Por Marcelo de Moraes

Com ampla maioria de votos, a Comissão Especial da Câmara aprovou o texto base da reforma da Previdência nesta quinta-feira. O grupo defensor da proposta conseguiu neutralizar os setores que tentavam desidratar o texto do relator Samuel Moreira (PSDB-SP) para atender pleitos de corporações como policiais, professores e outros servidores públicos. O relatório foi aprovado por 36 votos contra 13 e mostrou uma articulação bem azeitada pelo grupo comandado pelo presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), pelo presidente da Comissão, Marcelo Ramos (PL-AM), e pelos líderes do Centrão.

Apesar de a reforma previdenciária ser o principal projeto do interesse da equipe econômica, politicamente o presidente Jair Bolsonaro acabou tendo de amargar um desgaste com o processo de votação. Se por um lado, está aberto o caminho para que a reforma seja aprovada pelo plenário, por outro o presidente desagradou uma importante fatia do seu eleitorado ao não conseguir que a proposta incluísse mais vantagens para policiais e outros representantes de forças de segurança. Durante a votação, integrantes dessas categorias protestaram dentro da sala da Comissão, chamando Bolsonaro de traidor. Deputados de oposição – que apoiaram destaques de votação que tentavam ampliar o direito dos policiais – aproveitaram a situação para dizer que o presidente abandonou seus seguidores.

O risco era perder tudo. No dia anterior à votação, Bolsonaro já tinha tentado mudar o projeto para atender os policiais, percebendo que o desgaste seria grande. Mas não houve acordo possível. Nesta quinta, pela manhã, voltou a fazer nova carga e foi alertado pelos deputados e também por membros da equipe econômica que uma concessão aos policiais colocaria em risco a aprovação do relatório. Afinal, se o governo cedesse para alguém, teria que facilitar a vida de todo mundo. E aí, claro, adeus potência fiscal da reforma. A única concessão surgiu de um destaque articulado pelo DEM, que evitou que policiais militares e bombeiros dos Estados fossem equiparados às regras que estão sendo propostas para as Forças Armadas. Se isso fosse mantido, eles teriam de se aposentar com 35 anos de atividade, quando hoje a regra prevê 30 anos.

Troca-troca. O sinal de que o governo entendeu que precisava escolher entre bancar um projeto duro, mas necessário, ou ser populista e colocar em risco a economia foi na troca dos integrantes da Comissão Especial. Ao perceber que havia risco de alguns dos titulares votarem contra o relatório, o PSL, partido de Bolsonaro, substituiu esses deputados por outros alinhados com o texto. Isso fez com que o líder do governo na Câmara, Major Vítor Hugo, e a líder do Congresso, Joice Hasselmann, assumissem vagas na Comissão para garantir a vitória. Outros partidos do Centrão fizeram a mesma coisa.

Festa na Bolsa. Se Bolsonaro terá de administrar o desgaste com uma categoria que lhe é cara, pode, pelo menos, se consolar com a euforia provocada no mercado pela aprovação do texto base na Comissão Especial. A Bolsa chegou a atingir a marca de 104 mil pontos e fechou apenas um pouco abaixo desse resultado histórico, indicando o otimismo com o qual investidores estão vendo a aprovação da reforma. Se o resultado se confirmar no plenário, a expectativa é que esse ambiente de otimismo em relação ao crescimento econômico possa garantir um corte nos juros em breve.

Corrida contra o tempo. O maior adversário da reforma, nesse momento, parece ser o calendário. O Congresso tem recesso previsto para o dia 18. Com isso, o texto precisará ser votado no plenário, em dois turnos, em duas semanas. Apesar desse prazo curtíssimo, Rodrigo Maia acredita que há possibilidade para isso acontecer. Mas será preciso atenção aos movimentos das corporações, que ainda vão tentar uma nova investida para desidratar o projeto aprovado.

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