por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

BR18 Analisa: Congresso vota, apesar da crise Moro

Vera Magalhães

Por Vera Magalhães

Mesmo com a crise envolvendo Sergio Moro pairando em todas as conversas e em discursos no plenário, o Congresso aprovou nesta terça-feira o PLN4, que permite ao governo se endividar em R$ 248,9 bilhões para pagar despesas correntes. É a tal blindagem que prometeu Rodrigo Maia?

Sim e não. Deputados e senadores votaram premidos pelo tempo, pela constatação de que punir o governo Jair Bolsonaro significaria deixar de pagar benefícios sociais e por um acordo com a oposição que destinou recursos ao Minha Casa Minha Vida, descontingenciará recursos das universidades e de pesquisas. Portanto, o governo cedeu uns poucos anéis para preservar os dedos e não quebrar a regra de ouro. Portanto, não se sabe se a tal blindagem foi circunstancial ou se aguenta qualquer bala.

Moro fala. Além disso, o clima de tensão foi contornado por mais um acordo anunciado pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre, para que Moro deponha na Comissão de Constituição e Justiça da Casa sobre a divulgação de diálogos entre ele e o procurador Deltan Dallagnol obtidos e divulgados pelo site The Intercept Brasil com combinação de estratégias na Lava Jato. Por que só no dia 19? Para que o ministro tenha tempo de saber o que mais vem por aí na prometida divulgacão em capítulos do material.

Bolsonaro não fala. Já o presidente segue se esquivando de dar declarações públicas a respeito da crise que atinge um de seus principais ministros. Encerrou abruptamente uma entrevista ontem ao ser questionado sobre o assunto. A única declaração em apoio a Moro foi dada pelo titular da Secom, Fabio Wajngarten, em nome do chefe.

STF julga. No Supremo, as revelações dos bastidores da Lava Jato pautam decisões e declarações dos ministros. Gilmar Mendes disse que provas obtidas ilegalmente podem ser consideradas, sim, para se absolver alguém condenado de forma injusta. Marco Aurélio Mello ironizou a má fase de Moro. E a Segunda Turma direcionou ao pleno um HC coletivo que contesta súmula do TRF-4 (o tribunal da Lava Jato) que torna automático o cumprimento de pena após condenação em segunda instância. O decano Celso de Mello instou a corte a decidir de uma vez por todas o mérito dessa questão que se arrasta há anos. E a mesma Turma deverá julgar, no dia 25, o HC de Lula que pede a suspeição de Moro –e que agora ganha novos contornos diante das revelações das conversas.