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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

BR18 Analisa: Davi faz forte defesa da democracia e critica extremismo

Equipe BR Político

Por Marcelo de Moraes

Num dia em que o Congresso fez questão de bater bumbo para festejar a força política demonstrada pela aprovação da reforma da Previdência na Câmara, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, não perdeu a oportunidade de marcar posição em defesa da democracia e contra os discursos extremistas. Depois de receber do presidente da Câmara, Rodrigo Maia, o projeto aprovado da reforma, Davi reforçou seu papel à frente do Congresso como defensor das instituições.

Mesmo sem citar Jair Bolsonaro ou se referir diretamente ao governo, o discurso mirou claramente no presidente, justamente no momento em que ele tem aumentado o tom de suas falas. Alcolumbre lembrou que a aprovação da reforma na Câmara foi fruto da construção de um debate democrático. “Não foram os que votaram contra e os que votaram a favor que construíram isso, foi a democracia. Eu, como presidente do Senado e do Congresso tenho me manifestado em favor desta democracia, tão cara a muitos brasileiros, há muitos anos, que eu mantenho forte quando defendo as instituições, inclusive este Poder – este Poder, que está sendo reconhecido, na sua história, como o Poder da República que hoje tem o reconhecimento da sociedade”, disse.

Política vilanizada. Uma das principais queixas de Alcolumbre e de Maia é com o processo de vilanização da política praticada por Bolsonaro e seus apoiadores nas redes sociais. Carimbados de “velha política”, os líderes do Câmara acabaram aprovando a reforma da Previdência, apesar da falta de ajuda política do Planalto. Por isso, Davi fez a defesa da política como meio de transformação do País.  “Não existe outro caminho para mudarmos o Brasil senão por decisões políticas. Eu abomino aqueles que querem enfraquecer a política. Eu confio na política, sou fruto da política”, afirma. “Volto a repetir: aqueles que enfraquecem as instituições estão enfraquecendo a democracia. Uma democracia jovem, que tem seus erros e seus acertos, que precisa ser fortalecida. A gente tem muito para aprender e quer aprender com o diálogo e com o entendimento. Os extremos não vão levar os brasileiros a um porto seguro.”

Veja bem. O presidente do Senado carregou na tinta de sua fala também para tentar mostrar independência do governo. Ele acabou de receber um afago do presidente, que lhe fez o aceno de poder preencher duas vagas no poderoso Cade. Como Bolsonaro quer o apoio de Alcolumbre para aprovar a indicação de seu filho Eduardo Bolsonaro para a embaixada do Brasil nos Estados Unidos, a “gentileza” mostra que a “velha política” também pode ser útil para o presidente. Apesar do movimento, não há garantia que Alcolumbre ajude na aprovação de Eduardo.

É o que temos. Com a reforma da Previdência aprovada na Câmara, Rodrigo Maia parece que decidiu retirar os filtros e ser mais crítico em relação ao presidente. Num evento organizado pela XP, Maia disse que “mesmo com discurso autoritário, Bolsonaro é o que temos”. Afirmou também que sua vitória eleitoral “foi produto de nossos erros”. Mas contou que a relação pessoal dos dois melhorou. Imagine se tivesse piorado.

Bloco do eu sozinho. Maia tem se tornado cada vez mais um player no cenário eleitoral de 2022. Obviamente, ainda tem muito chão para se percorrer antes da próxima eleição, mas o presidente da Câmara assumiu o importante papel de líder no Congresso da agenda de reconstrução econômica do País. Por conta disso, já mostrou que não está disposto a assumir sempre a tarefa de ser “líder do governo” para aprovar as propostas de interesse do Planalto. “Não consigo ser líder do governo todos os dias, jogar em todas as posições. Preciso de ajuda”, diz o presidente da Câmara. O problema é que, até agora, oito meses depois de assumir o Planalto, Bolsonaro não fez questão de montar uma base dentro do Congresso. Nem montará. Por isso, a agenda de retomada de crescimento deverá continuar dependendo muito do poder de organização dos parlamentares.

Previdência encaminhada. No Senado, a reforma deverá tramitar de 60 a 90 dias, sem grandes dramas. Apenas uma mudança importante tem encontrado respaldo entre os senadores, que é a inclusão de Estados e municípios. Mas, para não comprometer e atrasar a tramitação da reforma, a ideia será posta em outra proposta de emenda constitucional. Ou seja, o Senado vai tentar aprovar a reinclusão. A pergunta é: a Câmara, que sempre rejeitou a proposta, vai mudar de opinião? Hoje, não tem clima. Até o fim do ano, as coisas podem mudar, mas é difícil.

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