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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

BR18 Analisa: Defensores da reforma tentam blindar proposta contra os efeitos da crise da Lava Jato

Marcelo de Moraes

Por Marcelo de Moraes

Preocupados com a confusão em que se transformou o Congresso, depois do vazamento das conversas envolvendo os integrantes da Lava Jato e o ministro da Justiça, Sérgio Moro, defensores da reforma da Previdência querem impedir que a discussão da proposta seja contaminada politicamente pela crise. A ideia do grupo, que inclui os presidentes da Câmara, Rodrigo Maia, e do Senado, Davi Alcolumbre, é tentar preservar o calendário previsto para a discussão e votação da reforma. O deputado Samuel Moreira (PSDB-SP) pretende fazer na quinta-feira a leitura do seu relatório na Comissão Especial. Mas os defensores da proposta temem que o clima político piore por envolver nomes tão importantes quanto o de Moro e o do coordenador da Força Tarefa da Lava Jato, Deltan Dallagnol.

Clima conturbado. A preocupação com esse estrago político é tão grande que o presidente da Comissão Especial, deputado Marcelo Ramos (PL-AM), afirmou que “o juiz Sérgio Moro certamente aconselharia o ministro Sérgio Moro a se afastar do cargo até que se concluam as investigações”. Ramos admite que o clima político ficou conturbado, mas disse que os parlamentares precisam manter o cronograma de discussões da reforma. “Os fatos envolvendo o ministro Moro, se confirmados, atentam contra o Estado Democrático de Direito, mas temos a responsabilidade de não deixar que contamine o andamento da reforma da Previdência, que seguirá o calendário definido pela Comissão”.

Esse filme já passou. Na semana em que a reforma poderá cumprir uma etapa importante, deputados mais antigos se lembravam que o escândalo da JBS, com a delação do empresário Joesley Batista, ocorreu justamente quando outra versão da reforma da Previdência estava pronta para ser votada no plenário da Câmara. Com as acusações feitas ao então presidente Michel Temer, a reforma foi parar na bacia das almas. Mesmo sabendo que a situação agora é diferente, deputados admitem que o ruído político pode atrapalhar o andamento da proposta.

Pressão. Não foi apenas o deputado Marcelo Ramos que sugeriu que Moro se afastasse do cargo. O Conselho Federal da OAB aprovou nota em que recomenda que os envolvidos se afastem dos cargos públicos que ocupam enquanto as investigações acontecem. Além disso, quatro integrantes do Conselho Nacional do Ministério Público pediram abertura de investigação dentro do órgão para saber se os procuradores cometeram irregularidades na condução da Lava Jato.

Oposição quer CPI. Dentro do Congresso, os partidos de oposição defendem a abertura de uma CPI para investigar o conteúdo dos vazamentos das mensagens trocadas entre os integrantes da Lava Jato. Além disso, dão como certa a convocação de Moro em alguma das comissões do Senado ou da Câmara para explicar o caso.

Muito barulho. Moro e Deltan reforçaram que as mensagens teriam sido conseguidas de forma criminosa por um hacker e estariam descontextualizados. Além disso, ambos afirmaram que não houve nenhuma ilegalidade nas ações feitas pela Lava Jato. O ministro deverá conversar nesta terça com o presidente Jair Bolsonaro para tratar do assunto. Segundo o porta-voz da Presidência, Otávio do Rêgo Barros, o presidente vai esperar o retorno de Moro da viagem que fez ao Amazonas para falar pessoalmente sobre o caso.

Enquanto isso, na reforma… Governadores se reúnem nesta terça-feira, em Brasília, como parte da estratégia de pressão política para convencer o Congresso a manter Estados e Municípios dentro da proposta da reforma da Previdência. Os governadores esperam sensibilizar os líderes partidários, mas há forte resistência nos partidos do Centrão a manter esse item no texto da reforma.

Desventuras em série. O governo também precisará lidar com a pressão da oposição para tentar aprovar o crédito suplementar de R$ 248,9 bilhões na Comissão de Orçamento. O PLN 4 destina recursos para programas como BPC, Bolsa Família e o Plano Safra, entre outros, e precisa ser aprovado até o dia 15 no plenário do Congresso. E, nessa corrida contra o tempo, o desafio será dobrar a obstrução que os partidos de oposição prometem repetir na sessão desta terça-feira na Comissão.

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