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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

BR18 Analisa: Empate na Câmara, susto nas ruas

Equipe BR Político

Por Vera Magalhães

O governo conseguiu escapar sem maiores escoriações da sabatina de Abraham Weintraub na Câmara. Mas as ruas mandaram um claro recado a Bolsonaro, que cometeu o erro grave de subestimar os protestos e chamar de idiotas seus participantes, como se fossem restritos à esquerda. Não eram.

Na Câmara. O que foi urdido para complicar a vida do ministro da Educação acabou por favorecê-lo. O formato da audiência em plenário, uma sucessão de discursos enfadonhos e desconectados entre si, que eximiam Weintraub de contestação direta e de ter de detalhar o contingenciamento de gastos, acabou por deixá-lo mais à vontade do que ficaria na Comissão de Educação, confrontado por uma bancada de especialistas no assunto.

Altos e baixos. Deputados do PT tentaram partir para cima de Weintraub, mas nesses momentos ele também puxou a peixeira ideológica, sem sofrer nenhum apagão, como o que acometeu seu antecessor, Vélez Rodríguez, nem protagonizar nenhum haraquiri político, como fez Cid Gomes em 2015. Sobreviveu, embora continue sem dizer qual o plano da gestão Bolsonaro para a Educação, quais as novas metas que propõe (já que critica as atuais) nem qual o detalhamento do corte.

Clima ainda tenso. A razoável tranquilidade da longa sessão, no entanto, não significa que melhorou o ambiente para o governo no Congresso. O incidente da véspera, em que vários líderes disseram ter presenciado Bolsonaro ligar para Weintraub e ordenar o recuo no contingenciamento, para em seguida serem desmentidos, continuou reverberando. Uma das ameaças é que o próximo convocado na Câmara seja o titular da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, que acusou os deputados de buscarem holofotes.

‘Idiotas úteis’. O desastre do dia foi a declaração de Bolsonaro, já no Texas. O presidente chamou os que participariam da manifestação de “idiotas úteis”, “imbecis” e “massa de manobra”, que não saberiam nem a fórmula da água. Foi contestado até por movimentos de direita, como o MBL, que reconheceram que os protestos foram além da esquerda e que, ao xingar os manifestantes, o presidente ofende inclusive eleitores seus e os joga no colo da oposição.

Nas ruas. O protesto foi grande. Ocorreram atos em todos os Estados e em pelo menos 228 municípios, de acordo com os organizadores. Em São Paulo, o protesto contra o contingenciamento de recursos para a Educação fechou a Avenida Paulista por quatro horas. Ainda são muito imprecisos os números de participantes, mas isso importa pouco. Politicamente, o saldo é ruim para o governo, que viu um grande movimento de rua contra si com menos de quatro meses de mandato, não demonstra ter respostas às reivindicações, subestima o engajamento social nos atos e acaba levando ao ressurgimento de uma oposição que estava sem rumo graças à própria incompetência.

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