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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

BR18 Analisa: Governo acelera liberação de emendas e Câmara faz concessões para destravar reforma

Marcelo de Moraes

Por Marcelo de Moraes

Como dizia Nélson Rodrigues, até as pedras sabiam que a reforma da Previdência enfrentaria dificuldades para ser aprovada quando o texto chegasse ao plenário da Câmara. E não deu outra. Foi um dia de negociações intensas e frenéticas para tentar amarrar os votos favoráveis para a proposta. Do lado do governo, foi preciso acelerar a autorização do pagamento de emendas impositivas. Esses recursos são legítimos e de pagamento obrigatório, mas o governo pode pagar quando achar melhor. Sob pressão dos deputados, o Planalto adiantou essas liberações de recursos. Com isso, garantiu o início da discussão da reforma, num processo que deverá se arrastar até a sexta-feira para conseguir concluir os dois turnos de votação.

Para não ficar com a pecha de ter aderido ao “toma lá, dá cá”, Jair Bolsonaro se justificou via Twitter: “Por conta do orçamento impositivo, o governo é obrigado a liberar anualmente recursos previstos no orçamento da União aos parlamentares e a aplicação destas emendas é indicada pelos mesmos. Estamos apenas cumprindo o que a lei determina e nada mais”, afirmou o presidente.

Mulheres ganham. Dentro da Câmara, os defensores da reforma, liderados pelo presidente da Câmara, Rodrigo Maia, toparam suavizar a proposta para as mulheres, atendendo pedido da bancada feminina. O texto foi alterado para reduzir de 20 para 15 anos o tempo mínimo de contribuição para as mulheres.

Vida de gado. Enquanto negociavam votos e mudanças na reforma, a Câmara ganhava tempo discutindo por horas a fio projeto sobre a vaquejada. O inusitado e longo debate produziu pérolas como essa do deputado Alexandre Frota (PSL-SP): “Tá cheio de deputado barrigudo aqui que não sai da churrascaria e fica falando em defender o boi”. O deputado Alexandre Molon (PSB-RJ) foi mais direto ao ponto: “Se a proposta tivesse votos não estaríamos discutindo a vaquejada”.

A próxima atração. Os deputados já decidiram que a prioridade da Casa no segundo semestre será a votação da reforma tributária. Nesta quarta, será instalada a Comissão Especial que discutirá o assunto, mas, claro, já há disputa pela melhor proposta. Rodrigo Maia e o Centrão defendem a proposta apresentada pelo líder do MDB, Baleia Rossi, e preparada pelo economista Bernardo Appy. O governo tenta emplacar um texto alternativo. E o Senado deve iniciar sua própria discussão recuperando os trabalhos conduzidos pelo ex-deputado tucano Luiz Carlos Hauly. Ou seja: trombada à vista.

Se arrependimento matasse. Na CPI do BNDES, o publicitário João Santana surpreendeu a todos com um visual muito diferente do que exibia quando cuidava das campanhas presidenciais petistas e era um dos mais poderosos integrantes dos governos Lula e Dilma Rousseff. Condenado na Lava Jato e depois de ter feito acordo de delação premiada, Santana disse que não tinha nenhum elemento que pudesse servir para as investigações sobre o BNDES. Mas fez comentários fortes sobre sua situação pessoal. Admitiu seu arrependimento por ter aceitado participar de esquema de caixa 2, que o levaram a condenação por lavagem de dinheiro. Mas se queixou também do peso da punição que sofreu quando todas as campanhas políticas eram feitas da mesma forma.