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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

BR18 Analisa: Governo promete liberar saque do FGTS todos os anos

Marcelo de Moraes

Para tentar aquecer a economia, o ministro da Economia, Paulo Guedes, anunciou que o governo vai liberar saques das contas ativas e inativas do FGTS todos os anos. Sem detalhar ainda as regras que vão definir esse processo, o ministro confirmou apenas que os saques, este ano, deverão ser limitados em R$ 30 bilhões e em mais R$ 12 bilhões, em 2020.

O governo decidiu liberar o acesso aos recursos do Fundo avaliando que alguma medida rápida precisava ser tomada para tirar a economia da estagnação. Com previsão de crescimento inexpressivo para o PIB, Guedes e seus auxiliares calcularam que os saques do FGTS poderão injetar dinheiro na veia na praça e tentar dar algum fôlego para a economia enquanto medidas mais estruturantes são elaboradas.

A fórmula de Temer. No governo de Michel Temer, esse expediente de liberar saques ao FGTS também foi adotado para garantir oxigênio na economia. Temer, porém, limitou a ação às contas inativas. Guedes negou que esteja repetindo a estratégia do governo Temer. E usou o mecanismo da liberação anual como prova. O ministro afirmou que esse processo de acesso aos recursos do FGTS trará ainda outras novidades.

Nem tanto ao mar. O anúncio com as regras para saques do FGTS deveria ter sido feito na semana passada. Mas a pressão dos empresários da Construção Civil fez com que o governo recuasse e calculasse melhor o impacto que os saques poderão ter sobre o setor, que depende bastante desses recursos. O certo é que só o acesso ao FGTS e, mesmo assim, de forma restrita, não garante sozinho a recuperação da economia. Para isso acontecer, mais coisa precisa sair do papel. Guedes sabe disso.

Tô te esperando na janela. Na sua primeira visita ao Nordeste depois de ter se referido aos habitantes da região pejorativamente como “paraíbas”, Jair Bolsonaro se desmanchou em declarações de amor aos habitantes locais. Durante a inauguração do aeroporto de Vitória da Conquista, na Bahia, o presidente disse que “ama o Nordeste”, falou que nas veias de sua filha corre o sangue “de um cabra da peste”, já que ela é neta de cearense e disparou um “somos todos paraíbas”.

Redução de danos. O tom do discurso do presidente não foi à toa. Avaliações internas do governo registraram que o episódio dos “paraíbas” causou desgaste na imagem de Bolsonaro na região, ainda mais porque foi replicado intensamente por todos os seus adversários políticos. A ida do presidente ao Nordeste, num evento com público seletivo e favorável, imediatamente depois da crise, foi considerado uma solução perfeita para reduzir o estrago.

Briga pela paternidade. governador da Bahia, Rui Costa, cumpriu o prometido e decidiu não participar da inauguração do aeroporto, achando que o presidente estava tentando faturar politicamente uma obra que teve recursos liberados pelos ex-presidentes Dilma Rousseff e Michel Temer, a pedido dos governos estaduais petistas. Costa também não liberou a PM para fazer a segurança da visita do presidente. Bolsonaro criticou o gesto publicamente e teve sua segurança garantida pelo Exército, Polícia Federal e Polícia Rodoviária. Mas nem precisava. Num evento fechado para convidados, acabou vendo a plateia amiga lhe saudar efusivamente na inauguração.

Aqui é o hacker. A Polícia Federal prendeu, nesta terça, quatro suspeitos de terem invadido o celular do ministro da Justiça, Sérgio Moro, e do coordenador da Força Tarefa da Lava Jato, Deltan Dellagnol. Por determinação da 10ª Vara Federal de Brasília, a PF deflagrou a Operação Spoofing, prendendo um homem e uma mulher na capital e outros dois homens em Araraquara e Ribeirão Preto. Os presos também são suspeitos de terem hackeado outras autoridades, incluindo dois delegados da PF, o desembargador federal Abel Gomes e o juiz federal do Rio Flavio Lucas.

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