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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

BR18 Analisa: Governo quer tirar economia da estagnação mas desorganização atrapalha

Equipe BR Político

Por Marcelo de Moraes

Assim como na política, o governo tem pago na economia um preço elevado pelo jeito confuso com que lida com as suas prioridades. A reforma da Previdência foi apresentada como o principal item da agenda de Jair Bolsonaro, mas o presidente sequer se preocupou em montar uma base de apoio para fazer com que a proposta pudesse avançar no Congresso. Na prática, a reforma só foi aprovada em primeiro turno na Câmara por conta do esforço feito pelo presidente da Casa, Rodrigo Maia, e pelos líderes dos partidos defensores da proposta para conquistar os muitos votos necessários para o projeto.

Agora, com a decisão de implementar medidas para aquecer a economia, o processo parece se repetir. Para tentar tirar o País do quadro da estagnação, o governo resolveu liberar o saque de até 35% das contas ativas do FGTS. Com isso, pode injetar dinheiro vivo na praça. Só que a ideia provocou arrepios no setor da Construção Civil, que possui interesse que os fundos tenham sempre saldo elevado para que imóveis continuem sendo comprados com esses recursos. E, na estimativa do setor, a liberação em grande volume dos saques poderá baixar excessivamente o total dos recursos do FGTS. Assim, já se discute reduzir o total que poderá ser sacado para não prejudicar a construção.

Fica para depois. O plano do governo era que o presidente anunciasse nessa quinta as medidas do FGTS, aproveitando a solenidade dos 200 dias da administração Bolsonaro. Mas, além das dificuldades da Construção, a Caixa Econômica também avisou que foi pega de surpresa com o movimento e precisa de tempo para se preparar, já que haverá grande corrida de pessoas às suas agências querendo sacar o dinheiro do fundo. Diante disso, a decisão, óbvia, foi a de adiar o anúncio da medida para a próxima quarta-feira. E até mesmo dentro da equipe econômica ainda ha dúvidas sobre o melhor formato para as medidas.

Alguma coisa precisava ser feita. Eu conversei nesta quinta com o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), para saber como ele via essas medidas do governo. Maia disse ao BR18 que elas “são necessárias” para tentar aquecer a economia. Mas reconhece que se trata de “uma medida emergencial” diante do atual quadro de estagnação. “Precisa fazer algo. Falta demanda”, reconhece.

Esse filme já passou. Ele avalia que alguns indicadores estão voltando aos patamares da posse de Michel Temer como presidente, logo depois do impeachment de Dilma Rousseff, quando a crise econômica era profunda. “Dados de capacidade instalada, horas trabalhadas e ociosidade do mercado de trabalho estão voltando ao patamar do início do governo do Michel”, citou Maia ao BR18. O deputado avalia que “o problema estrutural não será resolvido com estas medidas”. “Mas precisa fazer algo no curto prazo”, disse.

Voo de pato. Apesar de reconhecerem que algo precisa ser feito, parlamentares expressivos torceram o nariz para a prioridade dada pelo governo aos saques do FGTS. “Liberar o FGTS é voo de pato para a economia. Investir os recursos na indústria da construção civil, em especial no Minha Casa, Minha Vida, seria um voo mais sustentável e duradouro de geração de emprego. Recurso pra construção civil é emprego na veia do País”, afirma o deputado Marcelo Ramos (PL-AM), presidente da Comissão Especial da reforma da Previdência.

Eduardo chanceler? Jair Bolsonaro voltou a insistir publicamente na nomeação de seu filho Eduardo para a embaixada dos Estados Unidos. E afirmou que não entendia porque havia tanta pressão contra seu filho. Depois de comparar a indicação com situações anteriores absolutamente incomparáveis – até Osvaldo Aranha foi citado – o presidente disse que tinha certeza que o filho seria aprovado na sabatina no Senado. Mas disse, hipoteticamente, que poderia indicar o ministro de Relações Exteriores, Ernesto Araujo, para a embaixada e colocar Eduardo como chanceler.

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