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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

BR18 Analisa: Governo tenta dar uma lustrada nas manifestações

Equipe BR Político

Por Vera Magalhães

Desde a noite de segunda-feira, a ordem é dar aquele banho de loja nas manifestações marcadas para domingo: saem as palavras de ordem contra o Congresso e os políticos e entra a defesa edificante das reformas. Esse retrofit cola?

Só cai quem quer. Só embarca nessa ladainha quem quer um discurso para defender o governo, quem precisa de uma roupagem bonitinha para tentar atrair mais gente às ruas (os ruídos de antes estavam afastando até aliados históricos) e quem precisa deixar uma porta aberta para a recomposição, cada vez mais complicada, entre o governo e o Congresso.

Bombeiros. No último time atuam, de forma quase heróica, Paulo Guedes e sua brava equipe econômica. Expostos à missão quase impossível de fazer votar uma reforma constitucional que necessita de 308 votos enquanto o presidente em pessoa xinga os políticos, foram eles que costuraram esse cavalo de pau em que o que era um ato contra passou a ser a favor.

Centrão recua. Não foi o único recuo no tabuleiro da política nas últimas horas. O Centrão, sob o comando do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), desistiu do acordo para a recriação dos ministérios das Cidades e da Integração e anunciou que votará a MP 870, da reestruturação administrativa, sem isso. Recuo, por medo das ruas? Sim, em alguma medida. Mas também uma quebra importante (mais uma) na confiança entre Legislativo e Executivo, que certamente cobrará um preço mais adiante.

Bolsonaro toma distância. Diante de todos esses passos, o presidente, que na véspera compartilhara por WhatsApp uma convocatória em tom beligerante para os atos de domingo, fez o porta-voz Octávio do Rêgo Barros dizer que ele não irá aos atos e desaconselhar ministros que o façam. Isso, no entanto, não esconde o fato e que as convocações continuam a ser feitas nos grupos bolsonaristas nas redes e no programa de conversas virtuais, sob o beneplácito dos filhos e de assessores palacianos, como Filipe Martins, que insiste em martelar a tecla do “poder popular” por meio de posts pernósticos no Twitter.

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