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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

BR18 Analisa: Guedes e Moro reagem

Equipe BR Político

Por Vera Magalhães

Depois de se verem tragados pela “usina de crises”, como chamou Rodrigo Maia, Paulo Guedes e Sérgio Moro usaram o início da semana para tentar sair das cordas. Mas os problemas nos escaninhos de cada um dos superministros têm origens e consequências de natureza diversa.

BNDES. Guedes, que tinha sido o pivô da declaração de Maia sobre a a fábrica de crises do governo Bolsonaro ao detonar o relatório da reforma da Previdência, na sexta, procurou não passar recibo na crise envolvendo a demissão de Joaquim Levy, após ser publicamente incinerado pelo presidente no sábado. O ministro da Economia tratou de deixar claro que também estava insatisfeito com o desempenho de Levy, ainda que por razões distintas.

Saída rápida. Guedes tratou de estancar a crise indicando rapidamente o sucessor no comando do BNDES. Ao anunciar Gustavo Montezano para o posto, formou um triunvirato do que chamou de “jovens e experientes banqueiros” para instituições públicas, como fizera com Roberto Campos Neto (BC) e Pedro Guimarães (Caixa).

Futuro. A nova direção do BNDES, no que depender de Guedes, apontará para o futuro: privatizações, projetos de infraestrutura e saneamento e reestruturação financeira de Estados e municípios? Mas e a tal “caixa preta”, obsessão de Bolsonaro? Insistir nesse tema pode contrariar investidores em potencial, por mostrar falta de apreço do BNDES por sigilo contratual e respeito aos seus próprios clientes e parceiros.

Reforma. No outro terreno em que Guedes enfrentou dissabores recentes, o da reforma da Previdência, seus auxiliares tentam contornar o mal estar com a Câmara para uma última investida para alterar o texto de Samuel Moreira. Trata-se de batalha difícil: o discurso de que a reforma, agora, é do Legislativo, e não do governo, parece ter caído no gosto dos deputados.

Enquanto isso… Na Justiça, Sérgio Moro tenta virar a página da crise dos vazamentos da Lava Jato. O ministro apareceu ao lado de Bolsonaro em uma agenda positiva e cara ao eleitor bolsonarista (justamente o disposto a defender Moro dos ataques): o lançamento de uma medida provisória que agiliza as medidas para o confisco de bens de traficantes e permite contratações emergenciais para a construção de novos presídios federais.