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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

BR18 Analisa: Investigações avançam, mas não cessam Vaza Jato

Vera Magalhães

Por Vera Magalhães

Correm em frentes paralelas as investigações da Operação Spoofing, que nesta semana prendeu 4 hackers suspeitos de ter ligações com o hackeamento em massa de autoridades, e as revelações da chamada Vaza Jato. E o que há de novo, e de importante, em cada uma delas?

Origem das mensagens. Em depoimento prestado nesta sexta-feira, o hacker Walter Delgatti Neto, o Vermelho, insistiu em dizer que repassou as conversas extraídas por ele do Telegram do procurador Deltan Dallagnol para o jornalista Glenn Greenwald, e que a intermediária da ligação entre eles foi a ex-deputada e ex-candidata a vice na chapa de Fernando Haddad Manuela D’Ávila. Ele afirmou que repassou as conversas de forma não remunerada ao jornalista. No início do caso, Greenwald e outros jornalistas do The Intercept Brasil chegaram a insinuar ou afirmar em entrevistas e nas redes sociais que se tratava de um informante, minimizando a possibilidade de hackeamento. Em conversas divulgadas pelo próprio Greenwald nesta sexta, no entanto, ele parece não conhecer a identidade da fonte, mas fica explícito se tratar de um hacker.

Por que isso importa? A origem da extração dos diálogos, que agora vai se configurando comprovadamente como ilegal, é ponto no qual se detêm Sérgio Moro e os procuradores, que continuam tergiversando sobre seu conteúdo. Em entrevistas a rádios nesta sexta-feira, Deltan repetiu a tese segundo a qual não é possível atestar a integralidade das conversas, mas que, ainda que sejam verdadeiras, não demonstrariam crimes ou nulidades para a Lava Jato. Chegou a dizer que, no máximo, Moro e procuradores infringiram “formalidades legais”.

Moro e a investigação. No front político, a presença intensiva de Moro à frente das investigações gerou críticas por parte de ministros do STF e da OAB, cujo presidente, Felipe Santa Cruz, chegou a carregar nas tintas e chamar o ministro de chefe de organização criminosa. Moro negou que tenha uma lista de autoridades hackeadas, e, no Twitter, disse que avisou “alguns” dos alvos da quadrilha –sem deixar claro como obteve acesso aos nomes, se o inquérito é sigiloso. Mas o ministro não desmentiu oficialmente declaração do presidente do STJ, João Noronha, de que teria assegurado que as provas dos hackeamentos serão destruídas –decisão que cabe unicamente à Justiça.

Novos capítulos. Os veículos que estão associados ao Intercept para a divulgação de informações seguem no consórcio. A Folha divulgou nova reportagem mostrando que Deltan proferiu palestra para empresa citada em delação da Lava Jato. O jornal também submeteu áudio do procurador, que consta do acervo hackeado, e um grupo de peritos atestou que ele não tem sinais de edição ou adulteração.

Melhor se calarem. Diante dessa dinâmica em que a investigação dos hackeamentos na PF, que está sob o guarda-chuva da pasta de Moro, que, por sua vez, é interessado no inquérito, bem faria o ministro se mantivesse distância e silêncio em relação às apurações. A presença ostensiva do ministro nas redes sociais e em conversas com interessados tratando do inquérito faz com que paire uma nuvem de incerteza quanto à autonomia e à isenção da PF para conduzir o inquérito.

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