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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

BR18 Analisa: Maia rebate críticas de Guedes e avalia que reforma já tem votos para passar em Comissão

Equipe BR Político

O ministro da Economia, Paulo Guedes, provocou enorme mal estar entre os parlamentares ao criticar duramente o relatório da reforma da Previdência apresentado no dia anterior pelo deputado Samuel Moreira (PSDB-SP). Para Guedes, o relator “cedeu” ao lobby dos servidores e “praticamente abortava” a nova Previdência ao excluir a proposta de capitalização. O peso do ataque de Guedes surpreendeu aos deputados pela inabilidade política e pela falta de timing, já que a proposta entra agora na fase mais delicada de discussão e votação na Comissão Especial.

Mas se causou surpresa e desconforto, a fala de Guedes não ficou sem resposta. O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), reagiu irritado, saiu em defesa do relatório de Moreira e disse que o governo era uma “usina de crises”. Maia afirmou que se a reforma dependesse do governo para ser aprovada “teria apenas 50 votos”.

Dá para aprovar. Preocupado em blindar a proposta das trovoadas vindas do lado do governo, Maia me disse que “acredita que a proposta já tenha os 25 votos de que necessita para ser aprovada na Comissão Especial”. Mas admite que ainda será preciso trabalhar muito para garantir os 308 votos favoráveis em dois turnos que são necessários dentro do plenário da Câmara. E, depois da sarrafada dada por Guedes no relatório, mais do que nunca, Maia entendeu que essa articulação terá de ser tocada pelos próprios deputados defensores da reforma. “O governo ajuda pouco nessa articulação”, me disse o presidente da Câmara.

Stress no mercado. A fala de Guedes não foi ignorada pelo mercado, que viu nas críticas um obstáculo a mais para a aprovação da reforma da Previdência. Afinal de contas, quando Planalto e Congresso batem cabeça, dificilmente as propostas caminham bem. Mas Maia repetiu que “blindará a reforma contra todos esses fatores”. “Temos um relatório que produz uma reforma robusta. A proposta ficou muito melhor do que aquela que se tentava aprovar no governo Temer”, diz Maia.

Pode pedir música. Depois de demitir, na véspera, o ministro da Secretaria de Governo, Santos Cruz, Jair Bolsonaro rifou mais dois generais integrantes do seu governo. Num café com jornalistas, avisou que o presidente dos Correios, general Juarez Aparecido de Paula Cunha, será demitido porque estava se comportando “como um sindicalista” à frente da empresa. Hoje, o Diário Oficial também trouxe a exoneração do presidente da Funai, general Franklimberg Ribeiro. As baixas causam surpresas, já que a ala militar é considerado um dos grupos mais influentes dentro do governo de Bolsonaro.

Recursos para blogs? O presidente justificou a saída de Santos Cruz como uma “separação amigável”. Mas a história pode ser diferente. No Congresso, a queda foi considerada uma vitória da ala ideológica do governo, que tinha no general um adversário e crítico. Além disso, dentro do Planalto o comentário é que a lâmina da guilhotina caiu sobre a cabeça de Santos Cruz por, supostamente, se opor à política de distribuição de recursos federais para blogs e sites bolsonaristas. Oficialmente, o governo rechaçou essa versão e a demissão segue nebulosa.

Publiquem tudo. As novas turbulências só ampliaram a confusão política dentro do governo iniciadas essa semana pelo vazamento das mensagens entre os procuradores da Lava Jato e o ministro da Justiça, Sérgio Moro. O ex-juiz deu uma entrevista exclusiva para o Estadão, onde afirmou que o alvo dos ataques dos hackers “são as instituições”. Moro disse que não pedirá demissão do cargo e não reconhece a autenticidade das mensagens reveladas. E disse que podem publicar tudo o que quiserem.

Voz das ruas. Enquanto Guedes e Maia trocam sopapos na mídia por causa do relatório da reforma da Previdência, o dia foi de pressão sobre a proposta nas ruas. A greve geral convocada pelas centrais sindicais e movimentos sociais paralisou parcialmente algumas cidades no Brasil. Em São Paulo, por exemplo, o metrô não funcionou e desde cedo avenidas foram fechadas por manifestantes. Além disso, não faltam cartazes e gritos não apenas contra a reforma, mas também contra o governo Bolsonaro como um todo.

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