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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

BR18 Analisa: Maia tenta blindar reforma contra pressão de lobbies

Marcelo de Moraes

Por Marcelo de Moraes

Depois de concluir na madrugada de sexta-feira a votação da reforma da Previdência na Comissão Especial, a proposta poderá ser discutida pelo plenário da Câmara já na próxima terça, aproveitando o clima positivo a seu favor. O presidente da Câmara, Rodrigo Maia, confirmou a estratégia ao BR18 e sabe que precisará organizar uma forte blindagem para impedir que o texto seja alterado por pressão de lobbies de corporações e categorias de trabalhadores. Como a proposta precisa ter 308 votos favoráveis em dois turnos, o deputado já vai se reunir neste sábado com os líderes partidários para definir a melhor estratégia de ação.

Há uma preocupação específica com a pressão dos policiais para que suas condições sejam suavizadas. O problema é que se essa reivindicação for atendida a porteira estará aberta para que outras categorias também queiram tratamento igual, reduzindo drasticamente o alcance da proposta. E existe um complicador: o próprio presidente Jair Bolsonaro insiste em defender que a situação dos policiais seja amenizada na reforma, causando mais ruído na discussão.

Bala pra todo lado. Não é difícil de imaginar que os deputados ligados aos trabalhadores da área de segurança vão tentar aprovar suas reivindicações. E o presidente ajuda a criar o caldo de cultura nesse sentido, quando, numa hora, defende a reforma potente e, na outra, pede que as regras para os policiais sejam suavizadas. Esse cenário confuso só favorece quem deseja desidratar a proposta em troca de melhorar sua situação.

A força do campo. Foi o que a bancada ruralista fez ainda na discussão na Comissão, garantindo que fosse mantida a isenção de contribuições sociais sobre as exportações do setor. Organizados, os ruralistas derrubaram o ponto que os incomodava por 23 a 19 e saíram comemorando. O detalhe é que a modificação causará uma perda para a reforma de cerca de R$ 80 bilhões em dez anos. “A economia brasileira depende do sucesso na exportação dos produtos agropecuários. Numa semana em que recebemos a boa notícia do acordo do Mercosul, não podemos tributar o setor que busca maior competitividade internacional para fazer o País voltar a crescer e ocupar seu espaço no mercado mundial”, diz o presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), deputado Alceu Moreira (MDB-RS), que era membro da Comissão Especial.

Não complica. Maia já avisou que não existe a menor possibilidade de incluir Estados e Municípios na proposta da reforma, como o governo propôs originalmente. “Incluir isso na votação do plenário atrapalha o processo”, avalia Maia, calculando que a proposta causaria uma perda de 50 a 60 votos só nessa questão.

Moro pressionado. A revista Veja publicou mais material com supostas conversas do ministro Sérgio Moro com procuradores da Lava Jato. As novas mensagens mostrariam Moro orientando procuradores a anexar provas num processo para que ele pudesse fazer uma acusação mais robusta contra Zwi Skornicki, representante da Keppel Fels, estaleiro que tinha contratos com a Petrobrás. Skornicki era investigado por supostamente ser operador de propinas no esquema de irregularidades envolvendo a Petrobrás. Além disso, as mensagens mostram Moro sendo contrário ao acordo de delação com o ex-deputado Eduardo Cunha, independentemente do que ele viesse a informar.

A voz do povo. Jair Bolsonaro saiu em defesa do ministro. Avisou que pretende ir com ele assistir à final da Copa América, entre Brasil e Peru, e até descer ao gramado com o ministro. “E o povo vai dizer se nós estamos certos ou não”, desafiou o presidente.

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