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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

BR18 Analisa: No dayafter, nuvens no céu para o governo

Vera Magalhães

Por Vera Magalhães

As manifestações tiveram tamanho bastante representativo, mas não foram estrondosas. Pautas como a defesa da reforma da Previdência e do pacote anticrimes de Sergio Moro dividiram espaço com críticas ao Congresso e ataques personalizados na figura de Rodrigo Maia. O que isso projeta para as relações entre Executivo e Legislativo?

Climão. Se elas não eram boas, certamente estão piores. Maia optou por não vestir a carapuça que as massas bolsonaristas que foram às ruas sob os auspícios do presidente e de seus acólitos tentaram lhe impingir: a de líder do Centrão, chantagista, boicotador da pauta do governo e inimigo das reformas. O presidente da Câmara manteve um silêncio que visa não amplificar o ruído entre as instituições, mas foi defendido por parlamentares de vários partidos.

Não ajuda em nada. No BR18, ouvimos várias lideranças de diferentes partidos ao longo do dia. Os links para os posts compartilhamos com vocês mais abaixo. A tônica geral é a de que Bolsonaro, ao avalizar protestos que tiveram como subtexto o ataque ao Legislativo, optou pelos seus seguidores mais radicais e, consequentemente, pelo isolamento. Isso deve dificultar o trâmite de algumas pautas.

Narrativa falsa. Ao longo do dia, foram sendo desmontadas algumas narrativas erigidas depois do protesto, como a de que a rua, em coro, pediu reforma da Previdência. A tibieza dos atos no Nordeste mostra que, se for usar a pressão popular para acuar o Congresso, Bolsonaro corre o risco de dar um tiro no pé com a bancada nordestina, uma vez que, lá, a população é majoritariamente contra o texto.

Coaf com Moro? Outro subproduto das manifestações governistas foi a defesa da pauta do ministro Sérgio Moro, que apareceu mais como herói que o presidente, diga-se. Acontece que, se insistir em tentar devolver o Coaf a Moro, a base governista no Senado corre o risco de sacrificar a medida provisória 870, que reorganizou a administração Bolsonaro. Afinal, transformado em Geni nacional nas ruas, o Centrão vai querer votar pela segunda vez na Câmara a matéria, ou vai deixar a MP caducar?

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