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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

BR18 Analisa: Pacto para foto

Vera Magalhães

Por Vera Magalhães

Os presidentes dos Três Poderes posaram para fotos, forçaram sorrisos, apertaram mãos e recorreram à surrada ideia de pacto depois que as relações entre eles foram levadas a teste nas ruas apenas dois dias antes. O que esses movimentos contraditórios significam?

Padrão. Em primeiro lugar, que se está diante de mais um exemplo de algo que vem se mostrando um padrão de Jair Bolsonaro: o morde-assopra, sem nenhum disfarce nem sutileza. O presidente passou o domingo surfando na marolinha verde e amarela que foi às ruas. Como viu que ela não era suficiente para emparedar o Congresso, decidiu que era hora de assoprar.

Sorrisos amarelos. O resultado de algo assim tão explícito não podia ser diferente: todos posaram para as fotos, comeram o mamão papaia, mas, assim que voltaram às Casas que presidente, relataram aos pares e deles colheram apenas desconfiança. Todos ainda querem ver, na prática, se o tal pacto sairá do papel.

Bola com você. Na prática, o Congresso trata de mostrar aos bolsonaristas que foram às ruas que a história de que é o Legislativo que trava as pautas do governo é falsa. Rodrigo Maia, que não acusou publicamente o golpe de ter sido transformado em vilão das manifestações, disse que vai apressar a reforma da Previdência. A bola, portanto, está com o governo: cadê os votos para aprovar o parecer? Vai ter de negociar.

Coaf e o barata-voa. Outro caso singular para mostrar o grau de mistificação das passeatas de domingo é o do vaivém do Coaf. A defesa de que o órgão fique na mão de Sergio Moro esteve presente em cartazes, palavras de ordem e discursos dos inflamados pesselistas. Tiveram de passar o vexame de recuar diante do reiterado apelo do próprio Bolsonaro pelo óbvio: havia chance de a MP inteira caducar. Culpa do Centrão? Nesse caso, da inabilidade política do governo.