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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

BR18 Analisa: Protesto divide apoiadores de Bolsonaro

Vera Magalhães

Por Vera Magalhães

O entorno de Jair Bolsonaro passou o fim de semana tentando inflar o ato previsto para o dia 26, que tem o Congresso e o STF como alvos. Mas a manifestação divide apoiadores do presidente grupos conservadores.

Morde. Depois de compartilhar por WhatsApp na sexta-feira um textão que dizia que o Brasil era “ingovernável” e depois desconversar, dizendo que só repassou o texto, Bolsonaro abriu a semana postando em suas redes sociais um vídeo em que o pastor congolês Steve Kunda diz que ele foi “estabelecido por Deus” para guiar o País. Usou o vídeo de mais de um mês como gancho para uma convocação indireta para que as pessoas vão às ruas.

Surreal. A convocação para o ato do dia 26 divide aliados do presidente. A deputada estadual Janaína Paschoal criticou os protestos em suas redes e, num grupo de deputados do PSL no WhatsApp condenou a postagem do vídeo do pastor por Bolsonaro, questionando inclusive se alguém que compartilha algo daquela natureza estaria em pleno gozo das faculdades mentais. Ameaçou, também, sair do partido. O presidente da Comissão Especial da reforma da Previdência, Marcelo Ramos (PR-AM), considerou “surreal” um protesto com patrocínio estatal.

Conservadores rachados. Os movimentos que lideraram o impeachment de Dilma Rousseff também racharam. MBL e Vem pra Rua negaram fazer parte da convocação dos atos. Os dirigentes do MBL fizeram pesadas críticas a Bolsonaro e ao governo e viram intenções golpistas no ato. Outros ex-apoiadores de Bolsonaro no campo conservador também começam a debandar.

Assopra. Diante de tanta turbulência política, o dólar chegou a R$ 4,12 ao longo do dia, mas fechou em baixa depois que o presidente passou a dar declarações menos intempestivas. De manhã, ele tinha criticado a classe política em discurso no Rio de Janeiro, mas à noite, ao lançar a campanha em favor da Previdência, incluiu os parlamentares no “time” dos que querem a reforma. Fez até um afago à imprensa, ao dizer que, apesar de algumas “caneladas”, ela é importante para que a “chama da democracia não se apague”.

Água na fervura. Outro que atua para distensionar o ambiente político é o ministro Paulo Guedes, com o auxílio de sua equipe. O titular da Economia e o secretário especial da Previdência, Rogério Marinho, se reuniram com o relator da medida na Comissão Especial da Câmara, Samuel Moreira (PSDB-SP), que saiu de lá minimizando a possibilidade de a Câmara votar uma proposta alternativa à do governo.

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