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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

BR18 Analisa: Reaproximação de Maia e Bolsonaro deve ajudar reforma da Previdência

Equipe BR Político

Por Marcelo de Moraes

Um mês depois de praticamente romper relações com Jair Bolsonaro, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, admite que os dois se reaproximaram.

Nas últimas 24 horas, o presidente se encontrou duas vezes com Maia, onde, segundo ele, conversaram sobre “um montão de assuntos”. Mas, o mais importante, é que os dois se alinharam para atuar em coordenação para aprovação da reforma da Previdência. A queixa de Maia que deflagrou a briga era justamente estar se empenhando para a aprovação do texto, sem qualquer ajuda do Planalto, e ainda sendo criticado pelo entorno do presidente. A partir daí, Maia ameaçou jogar a toalha e deixar a discussão sobre a reforma apenas sob a responsabilidade do governo.

Deixa disso. Defensor de primeira hora da reestruturação do sistema previdenciário, Maia não abandonou esse trabalho, mas diminuiu bastante sua atuação nos primeiros momentos, o que fez com que o governo acabasse sendo emparedado pelos líderes do Centrão. Depois de sofrer para aprovar o texto na Comissão de Constituição e Justiça, quando precisou ceder em quatro pontos para o Centrão e só venceu porque Maia ajudou nessa operação, Bolsonaro fez um gesto público para o presidente da Câmara, elogiando seu esforço pela reforma num pronunciamento em cadeia de rádio e televisão.

Caiu a ficha. Convencido de que o presidente passou a entender a importância da aprovação da reforma, Maia aceitou voltar a conversar diretamente com Bolsonaro. Nesta segunda, 29, antes de viajar para o exterior, ele reconheceu para o BR18 que “não era errado” dizer que os dois tinham se reaproximado.

Cadê a nova política? E o desempenho de Maia nessa coordenação da reforma parece ser cada vez mais necessário diante de uma Câmara que parece estar adquirindo rapidamente os antigos hábitos de seus antecessores. Com o feriadão do Dia do Trabalho cortando a semana, faltou quórum na Câmara para abrir a sessão de trabalhos. Eram necessários apenas 51 entre 513 deputados para os trabalhos serem iniciados, mas apareceram somente 49 no prazo limite para o começo da sessão. Resultado: como é necessário que se realizem 40 sessões no plenário para contar o prazo em que a reforma da Previdência poderá ser votada na Comissão Especial, a Câmara perdeu um dia com a falta de quórum.

Colecionando polêmicas. O presidente Bolsonaro participou da abertura do Agrishow, em Ribeirão Preto (SP), e acrescentou uma nova polêmica para o seu repertório. Ele defendeu que o Congresso aprove medidas para que não haja punição contra proprietários de terras que atirarem contra invasores.

Patriotismo no BB? Bolsonaro também causou outro ruído com os investidores depois que pediu para que o presidente do Banco do Brasil, Rubem Novaes, reduzisse os juros cobrados pela instituição para o fomento ao crédito rural. “Apelo, Rubem, para seu coração e patriotismo, que esses juros caiam um pouco mais”. O presidente arrancou aplausos dos presentes, mas causou barulho no mercado, com as ações do Banco caindo por conta do gesto, que foi interpretado como uma espécie de intervenção do governo na gestão da empresa.

Sem novos impostos. O presidente não pode reclamar de tédio nesta segunda-feira. Antes mesmo de se encontrar com os agricultores, precisou gravar um vídeo para desmentir que seu governo vá criar novos impostos, taxando, inclusive, igrejas, como deu a entender o secretário da Receita, Marcos Cintra, em entrevista à Folha de S.Paulo. A gritaria da bancada evangélica foi gigante e Bolsonaro disse que não existe a hipótese de se criarem novos impostos, muito menos cobrarem de igrejas. Cintra se justificou dizendo que não defende criação de impostos, mas sim uma reformulação que os reduza em troca de um outro tributo menor. Depois da confusão, Cintra acabou reunindo com Bolsonaro no Planalto e disse que continuava “muito” dentro do governo.

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