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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

BR18 Analisa: Segundo turno da reforma fica para 6 de agosto e frustra mercado

Marcelo de Moraes

Por Marcelo de Moraes

Chega quase a ser injusto lamentar que o segundo turno da reforma da Previdência só vai ser votado na Câmara, em agosto, depois do recesso parlamentar. Isso porque não se pode reclamar da falta de mobilização dos deputados. Durante toda a semana, o quórum foi sempre superior a 500 deputados e se manteve assim em plena sexta-feira, cena raríssima de se ver no Congresso. O problema é que a vitória acachapante na discussão do texto-base da proposta, por 379 a 131, provocou enorme euforia no mercado e produziu a ilusão que concluir essa votação seria uma moleza. Mas a história real foi bem diferente.

Todo mundo sabia que uma discussão como a reforma da Previdência seria muito difícil. Há pelo menos 25 anos, propostas sobre o tema têm sido enviadas pelos governos e quase sempre foram barradas pelo caminho. Sempre que alguma coisa passou, não foi tão importante a ponto de resolver os problemas do fragilizado sistema previdenciário. E a pressão contra as mudanças apareceu com toda a força nas discussões dos destaques. A pressão das corporações e a obstrução da oposição transformaram o processo de votação numa maratona duríssima para os defensores da proposta e a blindagem que protegia o texto foi sendo derrubada.

Não pode passar a boiada. A pressão sobre a reforma fez com que alterações importantes fossem aceitas. Passaram a redução do tempo de contribuição para as mulheres e para os homens, melhores condições para policiais e para professores, regras favoráveis para viúvas e órfãos e o cheiro de desidratação começou a incomodar ao presidente da Câmara, Rodrigo Maia, o principal articulador da reforma. Sentindo que a reforma corria risco de perder sua potência fiscal, ele começou a sentir a temperatura das votações para evitar maiores problemas. Uns boizinhos podiam passar, mas a boiada não.

Queda na Bolsa. A frustração do mercado com essa reversão de expectativa foi acusada na queda da Bolsa. Se na quarta, ela chegou a bater em 106 mil pontos, os dias de dificuldade fizeram com que ela fechasse, nessa sexta, abaixo dos 104 mil pontos. Mas a tendência é que essa marca se expanda muito mais com a retomada dos trabalhos em agosto porque a aprovação da reforma é considerada irreversível.

Deixa para depois. Para não correr mais riscos, Maia acertou com o Planalto que o segundo turno de votações poderia ficar para agosto. O ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, anunciou que a votação acontecerá no dia 6 de agosto, às 16 horas. Por via das dúvidas, Maia marcou sessões para a semana que vem, já que o recesso só começa oficialmente dia 18. Mas o clima é de que aprovar o primeiro turno, com os destaques, já foi um resultado marcante para a Câmara.

Polêmicas sem fim. Como era esperado, a simples possibilidade de indicação do deputado Eduardo Bolsonaro para comandar a embaixada do Brasil nos Estados Unidos causou imensa polêmica. Jair Bolsonaro negou que a ideia represente nepotismo – embora seja. Para o presidente, ele só indica, mas quem decide é o Senado. Ou seja, não seria sua responsabilidade. Esse tipo de interpretação, no entanto, não funcionou e a gritaria contra a escolha foi imensa durante o dia. Obviamente, os partidos de oposição fizeram muito mais barulho.

Rei do Hambúrguer. Eduardo se disse preparado para a missão, caso seja indicado ao principal posto da diplomacia brasileira no exterior. Sem ser diplomata de carreira e com apenas 35 anos – idade mínima obrigatória para o cargo -, o filho do presidente apresentou algumas de suas “credenciais” para a missão: fala inglês fluente, fez intercâmbio nos Estados Unidos e “já fritou hambúrguer” nos Estados Unidos. Pode parecer piada, mas não foi.

Reação no Senado. Se for confirmada a indicação, caberá ao Senado sabatinar o deputado e aprovar seu nome. E é de lá que as críticas têm sido mais fortes. Randolfe Rodrigues, senador da Rede, avisou que seu partido tomará medidas judiciais cabíveis contra a nomeação. Mas o Senado funciona assim: governistas aplaudirão o nome e oposicionistas ficarão contra. A decisão vai ficar para o grupo que fica no meio e que, nem sempre, revela sua opinião. É por aí que essa história será definida.

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