Imagem da Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

BR18 Analisa: Vaza Jato: tudo adiado até os próximos capítulos

Vera Magalhães

Por Vera Magalhães

Sérgio Moro adiou a ida à Câmara, e a Segunda Turma do STF adiou o julgamento de um habeas corpus da defesa de Lula. Todos parecem esperar os próximos desdobramentos da novela em capítulos da Vaza Jato. Mas quanto ela pode durar?

Temporadas. Impossível de dizer. A sistemática adotada pelo The Intercept Brasil e o início da parceria com veículos da grande imprensa podem desdobrar a revelação de conversas entre integrantes da força-tarefa da Lava Jato e o ex-juiz e hoje ministro da Justiça Moro em inúmeras pílulas, com consequências ainda imprevisíveis.

Moro de molho. Ao desistir de comparecer nesta semana à CCJ da Câmara, Moro demonstra ter aprendido uma lição com a ida ao Senado: por mais que se saia bem na inquisição dos parlamentares, ele sempre pode cair em contradição com sua estratégia de não validar o conteúdo da Lava Jato e abrir o flanco para novas reportagens contradizendo suas afirmações. Preferiu recolher os flaps.

STF na muda. E o Supremo? Como explicar a demora de mais de seis meses em analisar o HC da defesa de um réu preso? Se já era difícil antes das novas revelações, diante delas o adiamento parece mais heterodoxo. Para um lado ou para outro, cabe à Corte constitucional dar algum sinal para o País, que acompanha as revelações dividido e perplexo. Afinal, Moro e os procuradores exorbitaram suas atribuições? Isso compromete o julgamento de Lula? Ao se omitir de enfrentar o caso, os ministros contribuem para a insegurança jurídica e o clima de barata voa instalado desde que as revelações começaram a vir à tona.

Rainha da Inglaterra? E Jair Bolsonaro fez “mimimi”. Aquilo que os bolsonaristas sempre apontaram na esquerda, a vitimização, apareceu no discurso do presidente, reverberado por assessores palacianos nas redes sociais, segundo o qual o parlamento quer suprimir suas atribuições em iniciativas como o projeto que muda o funcionamento das agências regulatórias –que nada mais faz, na verdade, que tornar as indicações menos sujeitas a ingerências políticas e ao aparelhamento que a direita sempre apontava nos governos do PT. Como opostos que se retroalimentam, também nesse caso petismo e bolsonarismo trocaram de lados nessa questão.