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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Brasil à espera de confirmação dos EUA sobre taxação do aço e alumínio

Marcelo de Moraes

Uma semana depois de o presidente dos EUA, Donald Trump, anunciar pelo Twitter que taxaria o aço e o alumínio brasileiros, o governo se encontra numa espécie de limbo em relação ao assunto. Apesar do anúncio, a medida não foi formalizada até agora e o governo ainda mantém esperanças que o presidente americano mude de ideia. Por isso, a orientação, até o momento, é tentar fazer a menor espuma possível sobre o assunto aguardando os próximos passos dos Estados Unidos.

Donald Trump anunciou via Twitter a taxação do aço e do alumínio brasileiro, surpreendendo o presidente Jair Bolsonaro e a equipe econômica. Foto: Alan Santos/PR

Na terça-feira, 10, o principal consultor econômico de Trump, o diretor do Conselho Econômico Nacional da Casa Branca, Larry Kudlow, disse que “nenhuma decisão foi tomada” ainda pelo governo sobre a taxação de tarifas de aço ao Brasil e a Argentina.

O problema é que para o governo brasileiro o desgaste do episódio é duplo. Além de ver os Estados Unidos taxarem os produtos nacionais, ainda precisa administrar o revés político de ser “maltratado” por Trump. Apontado desde o primeiro instante como parceiro preferencial do Brasil por Jair Bolsonaro, os EUA não corresponderam a esse tratamento em nenhum momento. Deixando de lado cenas inusitadas como a de Bolsonaro falando “I love you” ao cruzar por Trump, o problema é que o Brasil está longe de conseguir valer seus interesses nessa relação.

Se o governo prefere esperar para ver se a ameaça se torna verdade, o setor de aço brasileiro prefere se precaver. O Instituto Aço Brasil não descarta acionar uma assessoria jurídica internacional para impedir a taxação do produto. Há um precedente bem sucedido da Turquia que recorreu quando Trump ameaçou taxar o aço do país em 50%.

Para complicar ainda mais a situação, o setor enfrenta um cenário de dificuldades. A estimativa para consumo, produção, vendas e balança comercial ficou abaixo do previsto para este ano. A previsão para o consumo aparente de aço deverá cair em 2,4%. Além disso, o setor siderúrgico fica sem saber como serão as negociações dos próximos contratos enquanto não surge a definição se haverá a taxação americana ou não.

Outro complicador é o clima eleitoral que tem pesado sobre os movimentos de Trump. Em busca da reeleição, o presidente não hesitará em se posicionar a favor dos produtores dos EUA para preservar sua popularidade.

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