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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Brasil desalinhado com o direito internacional

Equipe BR Político

Em mais um movimento alinhado à Casa Branca, o governo brasileiro deu apoio total ao plano de paz trumpista apresentando na última quarta-feira, 29, para resolver o conflito histórico entre Palestina e Israel.

Em nota, a pasta de Ernesto Araújo “saúda” o que chama de “acordo do século” do presidente Donald Trump para a “paz e a prosperidade” entre israelenses e os palestinos. A proposta é amplamente favorável a Israel e recebeu várias críticas de países árabes. A escolha pelo alinhamento cego com Washington e Israel pode ter impacto direto no comércio do Brasil com os árabes, risco iminente a cada vez que o o governo fala em transferir a embaixada. No início desta semana, Bolsonaro reinterou a ideia.

Na avaliação do cientista político e especialista em relações internacionais, Hussein Kalout, o apoio brasileiro é mais um episódio de apequenamento diplomático e de desprezo ao direito internacional. “O suposto acordo de paz não é um acordo e nem é de paz. Trata-se de uma tentativa de impor solução unilateral arquitetada para salvar a reeleição de Netanyahu em Israel e fortalecer a posição eleitoral de Trump. O pioneirismo fica por conta de como o Brasil decidiu entrar nessa farsa, diminuindo-se ao patamar de uma republiqueta de quinta categoria”, escreveu em artigo na Época.

O plano, que prevê a criação de um novo Estado palestino e um fundo de 50 bilhões de dólares para a recuperação econômica do novo país, foi elaborado por Jared Kushner, genro de Trump. Em contrapartida, o Hamas deverá ser desmilitarizado, os assentamentos israelenses serem anexados, o Estado judeu ser reconhecido como legítimo e a soberania de Israel neles reconhecida.