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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Brasil entre Uganda e Espanha

Equipe BR Político

A questão da desigualdade de renda divide economistas liberais entre os que acham que o dado é importante e precisa ser levado em conta e aqueles que o consideram secundário, uma cortina de fumaça. Em sua coluna desta terça-feira no Estadão o economista Pedro Fernando Nery, que é consultor legislativo e um dos principais defensores da reforma da Previdência, mostra, com dados, que é preciso que as próximas reformas foquem a questão da desigualdade.

Ele mostra que a divisão dos patamares de renda do Brasil em quintis de 20% evidencia que, entre os mais ricos, temos uma renda similar à da Espanha, enquanto no quintil mais baixo estamos próximos de Uganda, um dos países mais pobres do mundo em termos absolutos. E que políticas como a reforma tributária deveriam atacar essa disparidade.

Para ele, a grande questão é sobre “quem priorizar” na definição de políticas. “No caso desses dados, referentes a centenas de bilhões de déficit da Previdência urbana e do funcionalismo, eles indicam que destinamos 40% para nossa Espanha, e somente 10% para a nossa Uganda. E sem reforma, sobrariam cada vez menos recursos para políticas mais pró-Uganda, como o Bolsa Família: quase 70% vai para Uganda, menos de 1% vai para a Espanha. A transição demográfica agindo sobre um gasto gigantesco e obrigatório aumentaria o muro anti-Uganda no Orçamento”, escreve.