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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Brasil pode voltar ao Mapa da Fome em 2020, diz ex-diretor da FAO

Equipe BR Político

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O ex-diretor geral da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), José Graziano da Silva, afirmou ao site De Olho nos Ruralistas, que o Brasil corre o risco de voltar ao Mapa da Fome ainda em 2020 caso o país não retome investimentos em programas sociais. Graziano lembra que essa previsão era esperada para 2021, mas com a recessão mundial, o retrocesso se coloca mais iminente. A lei que instituiu a renda básica emergencial, de R$ 600, recebeu apoio quase unânime do Congresso, mas como o nome diz, tem prazo de validade.

O ex-diretor da FAO José Graziano da Silva

O ex-diretor da FAO José Graziano da Silva Foto: Alessia Pierdomenico/FAO

“O aumento do desemprego em função da crise e a redução dos programas sociais — vista no aumento da fila do Bolsa Família — poderiam trazer a fome de volta ao país. Nossos cálculos sugeriam que provavelmente o Brasil voltaria ao Mapa da Fome ao fim de 2021. Mas com a recessão mundial, acentua-se a perspectiva de um crescimento nulo ou mesmo decréscimo neste ano de 2020. Se isso acontecer, sem que haja qualquer ação pra recuperar os investimentos em programas sociais, o Brasil corre o risco de voltar (ao Mapa da Fome) já no fim desse ano”, declarou ele à publicação.

Outros aceleradores desse quadro são a falta de coordenação na política de segurança alimentar dentro do governo, agravada com a extinção de conselhos como o Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Consea) e a desidratação de programas como o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), e o próprio desinteresse da gestão Bolsonaro em priorizar o tema, não somente agora em que o país enfrenta a pandemia do coronavírus.

Graziano alerta ainda sobre a urgência de assistir a população do Nordeste e o risco de desarticulação da produção familiar, já que “são eles que provêm grande parte dos alimentos que consumimos nas cidades”. No campo propositivo, ele sugere maior controle da especulação nos preços dos alimentos. “Já está ocorrendo algo do gênero com o feijão. Estamos em plena safra e o preço disparou, não há nenhuma razão para tal. O governo tomou uma medida importante nessa linha em relação aos produtos farmacêuticos. Deveria agir da mesma forma em relação aos produtos da cesta básica. Não se trata de congelamento de preços, mas de acompanhar, fiscalizar, inspecionar”, diz um dos fundadores do Fome Zero.