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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Brasil só usa um terço de seu potencial hidroviário

Marcelo de Moraes

Estudo feito pela Confederação Nacional do Transporte (CNT) mostra que o Brasil está muito aquém de utilizar seu potencial hidroviário. O documento chamado “Aspectos Gerais da Navegação Interior no Brasil” mostra que o transporte hidroviário no Brasil “utiliza comercialmente (para o transporte de cargas e de passageiros) apenas 19,5 mil km ou 30,9% da malha potencialmente utilizável, que chega a 63 mil quilômetros. Praticamente dois terços do potencial não são devidamente utilizados”.

Hidrovia Tietê-Paraná

Hidrovia Tietê-Paraná. Foto: Divulgação/Departamento Hidroviário do Estado de São Paulo

Segundo o estudo da CNT, isso acontece por conta de “entraves de infraestrutura, de operação, institucionais e burocráticos, à pouca atenção dada ao segmento nas políticas públicas, à baixa efetividade de planos e programas e ao reduzido volume de recursos investidos no setor ao longo dos anos”.

O trabalho apresentado pela CNT aponta que, na prática, o Brasil não possui nenhuma hidrovia que pudesse ser chamada dessa maneira. “Embora as vias navegáveis no Brasil sejam chamadas de hidrovias, o País não tem, de fato, hidrovias nos moldes que esse tipo de infraestrutura requer. O sistema Tietê-Paraná é o que mais se aproxima de uma hidrovia. Entretanto, a falta de confiabilidade e a impossibilidade de uma oferta constante de transporte (sobretudo pelas recorrentes interrupções da navegação para o atendimento a outros usos dos recursos hídricos), a carência de manutenção das infraestruturas, entre outros aspectos, fazem com que essas vias interiores ainda não atendam a todos os padrões de qualidade observados em hidrovias de referência em outros países”, diz o documento.

A dimensão dessa deficiência fica clara quando o documento compara o sistema brasileiro com o existente em outros países. “O Brasil dispõe de apenas 2,3 km de vias interiores economicamente utilizáveis para cada 1.000 km² de área, enquanto países de dimensões semelhantes, tais como China e Estados Unidos, possuem, respectivamente, 11,5 km e 4,2 km por 1.000 km² de área. Se os 63 mil km potenciais fossem utilizados, tal densidade aumentaria para 7,4 km por 1.000 km² de área”.

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