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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

BRP Explica: Os efeitos da redução da Selic

Equipe BR Político

Nesta quarta-feira, 5, ocorre a primeira reunião do ano do Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central, de onde economistas esperam um anúncio de redução da taxa Selic para o menor nível histórico para o País, dos atuais 4,5% para 4,25%. Apesar de pequena, a redução segue uma série de cortes desde 2018 que trazem um novo cenário no Brasil, de rendimento muito menor para títulos públicos do que para outros tipos de investimento, de acordo com o economista do Insper Eduardo Correia.

Movimentação na Bolsa de Valores em São Paulo

Movimentação na Bolsa de Valores em São Paulo Foto: Werther Santana/Estadão

Isso leva investidores a preferirem aplicações mais arriscadas, como carteiras de ações na bolsa de valores, segundo o pesquisador em macroeconomia, já que as de renda fixa, que muitas vezes são atreladas à Selic, passam a ter rendimento real (descontada a inflação) de menos de 1% ao ano. “Significa que o crédito, a poupança da sociedade que estava sendo em grande parte devorada pelo governo, agora vai poder ser canalizada para as empresas.”

Correia afirma que o movimento ajuda a aquecer a economia, possível motivação para a redução da taxa em um cenário de inflação controlada e desemprego alto. 

Além da transferência dos investimentos, a queda da taxa resulta em crédito levemente mais barato, já que a Selic é um dos fatores que influenciam o valor da taxa de juros. “Deve ter um efeito de aumento do consumo e um pouco do investimento”, pontua o professor. 

Para empresas, favorece a decisão de investir em expansão, o que é chamado de capital físico, segundo Correia. “As empresas costumam calcular a taxa interna de retorno desse investimento. Quando ela é menor que a Selic, não vale a pena investir. Quando a Selic cai, projetos que antes não eram viáveis economicamente passam a ser.” 

Apesar disso, a redução do custo do crédito não deve ser tão acentuada devido ao spread bancário. “As pessoas vão pagar uma taxa de juros na ponta.” No Brasil, segundo o economista, o spread é muito alto por conta do risco de inadimplência, impostos e concentração do mercado bancário.

Transição de investimentos 

Com a diminuição do retorno das aplicações de renda fixa, médios e pequenos investidores que antes contavam com aplicações de baixo risco passarão por um período de transição. “As pessoas precisarão mudar a cultura financeira que tinham. No Brasil vivemos muitos anos com a taxa de juros real alta, então as pessoas não eram familiarizadas com a ideia de investir em bolsa, em fazer uma carteira com risco diversificado dentro das ações.” / Roberta Vassallo

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