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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

BRP Recomenda: Ainda a polêmica do Oscar

Vera Magalhães

Rendeu a polêmica da indicação de Democracia em Vertigem, de Petra Costa, ao Oscar de melhor documentário. O assunto foi abordado por vários colunistas nos jornais desta terça-feira.

No Estadão, Pedro Fernando Nery deconstrói a narrativa do filme sobre o estado da economia no governo de Dilma Rousseff. “De início, já há um problema factual quanto ao desemprego, consoante com a narrativa de Petra de que o governo inclusivo de Lula e, depois o de Dilma, teriam levado a um golpe (após a presidente ter enfrentado as elites econômicas). Segundo Petra “a taxa de desemprego atinge o menor índice da história” na Era Lula”, escreve o economista.

Ele aponta, ainda, a impropriedade de associar a queda de Dilma a uma tentativa de baixar os juros. “A Selic bateu sucessivas mínimas históricas desde Temer, e os bancos projetam juro real próximo de zero neste ano. Os juros transferidos pelo governo por conta da dívida pública caíram de mais de 8% do PIB no último ano de Dilma, para menos de 5% no ano passado. No caso das famílias, o governo Bolsonaro acaba de impor um teto aos juros do cheque especial.”

Na Folha, Joel Pinheiro da Fonseca também escreve sobre a indicação do documentário ao prêmio. Ele diz que é ilusório achar que um documentário vai retratar fielmente a realidade em todos os seus ângulos, e lembra o gênero “documentário engajado“, consagrado por Michael Moore. Ele aponta todos os erros factuais do filme, mas conclui: “Tendo feito o que fez, e ainda assim se apresentar como vítima inocente do sistema, o PT sem dúvida merece Oscar de atuação. Seja como for, o filme tem seus méritos também. O ritmo da narrativa mantém o espectador interessado na história, há imagens bonitas e muito bem escolhidas, e ainda conta com um material de arquivo inédito.”

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