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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

BRP Recomenda: Diplomacia de alto risco

Equipe BR Político

Colunistas dos principais jornais tratam, nesta terça-feira, das implicações deletérias para o Brasil do conflito entre Estados Unidos, Irã e Iraque. No Estadão, Eliane Cantanhêde lembra que essa “guerra”, se vier, não é nossa, e que o Brasil só tem a perder se entrar, ainda que lateralmente, no conflito. “Se a situação degringolar de vez, o Brasil vai ser chamado a se posicionar mais explicitamente e até a agir. Cometerá um erro histórico se ceder ao chamamento, ou pressão, de Trump”, escreve.

No Globo, Miriam Leitão mostra as nuances diplomáticas que explicam por que é um terreno pantanoso chamar de terrorista a Guarda Revolucionária do Irã, como fazem Estados Unidos, Reino Unido e Israel, caminho esboçado pelo Brasil na nota do Itamaraty divulgada depois do ataque norte-americano a Bagdá que resultou na morte de Qassim Suleimani. “O alinhamento completo aos Estados Unidos numa área cheia de fios desencapados, e numa escalada do conflito provocada pela decisão pessoal do presidente Donald Trump, é temerário. Trump não ouviu o Congresso, ele se cercou apenas de um grupo mínimo de assessores diretos, e até integrantes do governo criticaram a decisão intempestiva”, escreve.

Também no Globo, José Casado mostra que a escalada do Itamaraty de hostilidade ao Irã é anterior ao ataque norte-americano que vitimou Suleimani. Em uma reunião sobre terrorismo em Bogotá, em dezembro, o Brasil já havia instado o continente a ter uma postura mais ativa contra o terrorismo, associando a prática ao governo iraniano. “Bolsonaro não alcançou nenhum dos seus objetivos declarados na aliança com Trump. E sua política externa baseia-se numa coletânea de crenças obscurantistas. Por isso, o Congresso deveria abandonar as longas férias e procurar respostas para questões relevantes à sociedade. Duas delas: qual é o interesse brasileiro nesse conflito? O Brasil planeja ir à guerra aliado aos EUA?”