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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

BRP recomenda: ‘Mudança x concessão’

Equipe BR Político

Qual a relação possível entre o filme Dois Papas, do brasileiro Fernando Meirelles, e a demissão de Roberto Alvim da Secretaria Especial de Cultura do governo? A resposta está na coluna do Estadão, deste domingo, 19, da editora do BRP, Vera Magalhães. Para traçar o paralelo, ela cita uma das cenas iniciais – e mais importantes do filme, quando Anthony Hopkins (Bento 16) e Jonathan Pryce (ainda Bergoglio) discutem a diferença entre mudança e concessão. “Eu mudei”, diz o argentino ao Papa, diante de cobranças sobre a revisão que ele fez de dogmas e ritos da Igreja. “Não, você fez concessões”, retruca Bento. “Não, eu mudei. É algo diferente.”

Segundo a colunista, ao demitir Alvim, Bolsonaro fez uma concessão. Não há mudança em relação àquilo que ele pensa sobre o ex-auxiliar, a quem sempre foi só elogios.

“A contragosto, momentânea. Que não muda o caráter francamente autoritário de seu projeto de poder para a educação, a cultura, a política externa e os costumes, para ficar em poucas áreas. Na manhã de sexta o presidente ainda relutava em rifar Alvim. Tanto que a primeira nota do Palácio diz que ele já havia se explicado, e o fã de Goebbels se pôs a dar entrevistas em que reiterava o conteúdo da frase copiada. O que levou Bolsonaro a fazer sua concessão foi a evidência de que a comunidade judaica, aliada política importante de seu projeto, não aceitaria uma demonstração tão violenta de antissemitismo vinda de um auxiliar direto do presidente. Portanto, não haverá mudança. As manifestações racistas, autoritárias e francamente persecutórias a vários setores da sociedade continuarão vindo diariamente do presidente e da ala ideológica do governo”, opina.

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