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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

BRP Recomenda: o que dizem os editoriais

Equipe BR Político

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No principal editorial desde domingo, 10, o Estadão fala de estudo mais recente do Imperial College sobre o estágio da transmissão do novo coronavírus no Brasil. Também cita editorial da revista científica Lancet a respeito de como Jair Bolsonaro promove uma “marcha da destruição” no País à medida em que o vírus avança. “Na mesma semana em que o número de mortos no País dobrou (deixando-o abaixo apenas dos EUA em novas mortes), no mesmo dia em que Bolsonaro marchava sobre a Praça dos Três Poderes com um plantel de ministros e empresários para intimidar a Suprema Corte a relaxar o confinamento, a revista lembrou a turbulência intempestiva manufaturada pelo presidente com a demissão de dois ministros e as agressões à imprensa, governadores e instituições da República, frequentemente ante aglomerações inflamadas por ele. “Tamanha balbúrdia no coração da administração é uma distração mortal no meio de uma emergência de saúde pública e é também um sinal chocante de que o líder do Brasil perdeu sua bússola moral, se é que já teve uma”, diz o texto.

Em outro editorial, o jornal compara a estratégia de Bolsonaro, de prometer respeitar a Constituição ao mesmo tempo em que testa seus limites, à de outros líderes com tendências autocráticas em outros países e épocas. Lembra ensaios de Norberto Bobbio sobre a convulsão política na Itália após o assassinato do primeiro-ministro Aldo Moro e conclui: “Portanto, o modo de jogar dentro das regras depende da habilidade política e da envergadura dos jogadores. Os debates e os conflitos podem ser acirrados, mas enquanto as regras do jogo forem respeitadas, os jogadores são apenas adversários. Qualquer afronta a essas regras rompe o pacto constitucional, levando-os, então, a se converterem em inimigos. E essa é a lógica da guerra e da barbárie, segundo a qual quem não é amigo tem de ser destruído, lembrava Bobbio”.