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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

BRP Recomenda: o que dizem os editoriais

Equipe BR Político

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Em seu principal editorial desta segunda-feira, 11, o Estadão fala sobre o caráter imperfeito das instituições brasileiras, mas que não justifica nenhum tipo de clamor contra a sua existência. “Estão bem longe da perfeição as instituições republicanas do Brasil. Não são poucos os exemplos de abusos ou omissões do Supremo Tribunal Federal ou de corrupção e irresponsabilidade do Congresso. Ainda assim, se o Brasil pretende permanecer uma democracia, é preciso lutar para aperfeiçoar e prestigiar esses pilares, e não sugerir, como fazem os bolsonaristas, que estaríamos melhor sem eles.”

Ressalta que o bolsonarismo, como todo movimento de corte autoritário, vive de criar fantasmas e plantar na sociedade a desconfiança quanto a legitimidade dos demais Poderes. “Lula, o PT e a esquerda latino-americana são as estrelas do bestiário bolsonarista, que o presidente brande sempre que precisa justificar os atos injustificáveis de sua funesta Presidência. Mais de uma vez, Bolsonaro cobrou apoio incondicional a seu governo sob o argumento de que, sem isso, “o PT volta” ou então “o Brasil vai se transformar numa Venezuela””, lembra o texto, cujo título é “Assombrações“.

Ainda em sua página de Opinião, o jornal lembra que a pandemia do novo coronavírus tratou de expor desigualdades mundiais. “Os países ricos estão despendendo proporcionalmente muito mais que os pobres no combate ao vírus e seus efeitos. Pelos cálculos do FMI, enquanto os sete países mais industrializados do mundo gastam cerca de 6% do PIB com estímulos econômicos, os integrantes do G-20 gastam 3,5%. O pacote japonês, por exemplo, chega a 20% do PIB e o americano, a 10%. Já no Brasil ou na Malásia não chega a 3%.”

E o terceiro editorial, que também discorre sobre a covid-19, trata de um fenômeno correlato: a maneira como a pobreza afeta a possibilidade de as pessoas no Brasil se defenderem do contágio pelo novo coronavírus, pela falta de condições de isolamento adequado. “Além de preservar a saúde de dezenas de milhões e salvar vidas, obras de saneamento criariam empregos e ajudariam a mover a economia. Autoridades deveriam colocá-las no topo das prioridades, sem depender do alerta disparado por um vírus.”