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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

BRP Recomenda: O que dizem os editoriais

Equipe BR Político

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O editorial do Estadão deste domingo, 24, diz que a solução encontrada por Bolsonaro para desafiar limites a seu poder foi começar a criar um Estado paralelo, em que as normas não são as inscritas na Constituição. “Em qualquer país civilizado, o teor da reunião do presidente com seus ministros no dia 22 de abril, tornado público por determinação judicial, teria escandalizado todos, não só pelos múltiplos delitos ali cometidos e revelados, mas por explicitar a transformação da Presidência da República em propriedade privada de Bolsonaro, da qual, como um monarca absoluto, imagina poder dispor como bem entender.”

Também afirma que só a união em prol de um bem maior poderá ser capaz de libertar o País da prisão ideológica. “A extrema polarização política, não é novidade, só interessa aos irresponsáveis que figuram nos dois polos opostos. Jair Bolsonaro e Lula da Silva – ou quem quer que seja seu preposto – alimentam-se mutuamente da enorme rejeição que parcelas expressivas de cidadãos sentem por um e por outro. Somente a união de lideranças políticas em prol de um bem maior, desprovidas de vaidade por seus interesses estanques, poderá ser capaz de libertar o País da prisão ideológica e, enfim, guiar a Nação no caminho da retomada do crescimento econômico, do desenvolvimento humano e do resgate da confiança dos cidadãos nas regras do jogo democrático”.

Num terceiro texto, avalia que a irresponsabilidade na crise parece ter sido decisiva para aumento da rejeição ao governo. “Do mesmo modo, Bolsonaro parece ter construído em torno de si uma comunidade cujos integrantes consideram verdadeiros brasileiros somente aqueles que, como eles, são absolutamente leais não à Pátria, mas ao presidente. Para estes, como para os seguidores de Maduro e para os entusiasmados simpatizantes de autocratas totalitários no passado, “o líder sempre tem razão” – não por acaso, um slogan nazista. Faça o que fizer – inclusive negociar cargos com o que há de pior no Congresso, ignorando solene promessa de campanha -, Bolsonaro, na visão de seus fanáticos seguidores, jamais erra.”