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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

BRP Recomenda: o que dizem os editoriais

Equipe BR Político

O principal editorial do Estadão neste domingo (4) se detém sobre um dos assuntos da semana que passou: a indicação, por Jair Bolsonaro, do magistrado Kassio Nunes, do TRF da 1ª Região, para o lugar de Celso de Mello no Supremo Tribunal Federal. Para o jornal, o episódio evidencia os critérios usados por Bolsonaro para uma escolha tão séria: “A mensagem é cristalina. Jair Bolsonaro pretende se valer do poder de indicar novos ministros do Supremo para colocar amigos na Corte – e que, uma vez lá dentro, eles continuem atuando como amigos e defensores de seus interesses. Mais do que magistrados, Jair Bolsonaro almeja aliados – se possível, vassalos – do governo dentro do STF”.

O texto lembra que a missão do STF não é atuar como aliado ou oposição ao governo de turno, mas sim ser o guardião da Constituição, e lembra a importância do papel do Senado nesta equação. “Entre os ministros do Supremo, pode e deve haver multiplicidade de orientações ideológicas. Por isso, a indicação dos nomes compete ao presidente da República, eleito pelo voto popular. Mas, sem nenhuma exceção, todos os membros da Corte devem ser intransigentes defensores da Constituição, capazes de separar sua função institucional de suas amizades ou simpatias ideológicas. É essa capacidade que o Senado precisa checar com muito cuidado. Se necessário, é preferível desaprovar a indicação. Antes dar um desgosto ao presidente da República do que transigir com a Constituição e o princípio da separação dos Poderes.”

Em outro editorial, ainda analisando o comportamento de Bolsonaro recente, o jornal o classifica como “presidente do baixo clero“, dada a aproximação cada vez maior ao Centrão, e diz que ele adotou a receita de só pensar na reeleição injetando “dinheiro na veia do povo”, expressão usada por Paulo Guedes. Para isso, “entregou-se de corpo e alma ao Centrão, que vai se assenhoreando da articulação do governo no Congresso”. “Depois de ter conquistado a liderança do governo na Câmara, o bloco de partidos notórios pelo fisiologismo e pela demagogia agora se adornou das vice-lideranças, tomando o lugar de deputados “ideológicos” que seguiram lealmente Bolsonaro e acreditavam na balela de que o presidente do baixo clero encarnava a “nova política”, conclui o texto.