Imagem da Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

BRPergunta com Alessandro Vieira: ‘PSL é uma confederação de parlamentares’

Vera Magalhães

O senador Alessandro Vieira (Rede-SE) está em primeiro mandato, mas tem feito barulho. Não o tipo de barulho de muitos deputados e senadores oriundos do YouTube ou das redes sociais, mas barulho político capaz de provocar solavancos na base (que base?) do governo Jair Bolsonaro no Senado.

Eleitor de Bolsonaro no segundo turno e de Marina Silva no primeiro, o Delegado Alessandro não é um político fácil de rotular, daí porque a militância pró-governo esteja meio atônita diante da proposta que ele abraçou e que no momento expõe as vísceras bolsonaristas em rede nacional: a CPI da Lava Toga.

Ele atendeu o BRPolítico nesta segunda-feira para uma entrevista sobre as reações à CPI que propôs –este já é o segundo requerimento que apresenta tendo o Judiciário como alvo.

O senador Alessandro Vieira (Rede-SE). Foto: Divulgação Senado

BRP – A que o sr. atribui essa convulsão na base bolsonarista a partir da CPI da Lava Toga?

Alessandro Vieira – A uma clara ruptura do discurso de campanha de Jair Bolsonaro. Existe uma divisão clara entre o eleitor que optou por ele no primeiro turno e quem votou no segundo. Eu, por exemplo, votei na Marina no primeiro turno e nele no segundo, por entender que defendia uma agenda da qual eu, como delegado, era próximo, de combate à corrrupção. Uma vez no poder, no entanto, o presidente passou a fazer acordos com figuras contestadas na campanha. O eleitor vê acordão com Toffoli, Gilmar Mendes, e fica sem entender. O que foi vendido como um pacto entre Poderes, na verdade era um pacto entre poderosos.

O sr. acha que, diante desse acordo, a CPI é viável?

Procuro agir sempre pautado pela ideia de que o importante é fazer as coisas da maneira correta. Então apresentei o requerimento com objeto definido e o número de assinaturas exigido. O próximo passo depende do Davi Alcolumbre. Ele faz parte do esforço para a retirada de assinaturas. A CPI não tem por objetivo exercer nenhum controle sobre o Judiciário. Pelo contrário: ela é um instrumento previsto na Constituição para que o Legislativo possa fiscalizar o Judiciário, e é uma garantia contra ideias autoritárias se de controlar o Judiciário.

A que o sr. atribui a divisão no PSL e em que ela pode resultar? Há riscos para votações como as indicações de Augusto Aras e Eduardo Bolsonaro?

O PSL é uma confederação de parlamentares, não um partido. Foram eleitos na esteira dessa pauta de combate à corrupção, e agora essas contradições expõem seus integrantes. Mas acredito que essas votações sejam desvinculadas. A indicação do Augusto Aras, ainda que se faça restrições à forma da escolha, não se pode negar que ele reúne as condições técnicas e jurídicas para o cargo. Já a situação do Eduardo Bolsonaro configura nepotismo escancarado.

Ele se envolveu na polêmica da CPI ao postar um vídeo de uma youtuber com ataques a senadores, inclusive o senhor. Isso pode interferir no ânimo da Casa para sua indicação?

Não me parece que ele seja uma pessoa com vocação para a diplomacia. O histórico dele não aponta para um perfil diplomático. Mas o que houve ali foi uma clara estratégia de comunicação. Esse vídeo que ele postou é de uma senhora falando barbaridades como que eu sou do Foro de São Paulo, ligado ao PT! Votei no Bolsonaro no segundo turno. O que não imaginava é que tão rápido alguns discursos iam mudar, mesmo já tendo restrições claras ainda durante a campanha.