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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

‘Bolsonaro é que não é liderança e tem que sair’, rebate Raoni

Equipe BR Político

Em sua primeira manifestação pública após ser citado pelo presidente Jair Bolsonaro na 74.ª Assembleia-Geral da ONU, o cacique Raoni Metuktire, do povo caiapó, foi recebido por aplausos de parlamentares de esquerda na Câmara dos Deputados nesta quarta-feira, 25. “O Bolsonaro falou que eu não sou uma liderança, (mas) ele que não é uma liderança e tem que sair”, disse o líder indígena. “Antes que algo muito ruim aconteça, ele tem que sair, para o bem de todos”. Ele foi aplaudido pelos presentes, sob gritos de “Raoni sim, Bolsonaro não”.

Foto: Dida Sampaio / Estadão

Conhecido internacionalmente por sua luta a favor dos povos indígenas, o cacique já se reuniu, apenas em 2019, com o Papa Francisco e com o presidente francês Emmanuel Macron, provocando a ira de Jair Bolsonaro. Na quinta-feira, 12, ele foi indicado ao Prêmio Nobel da Paz de 2020 por entidades ambientalistas e de defesa dos povos indígenas. Em 1989, fez campanha a favor da criação do Parque do Xingu ao lado do cantor britânico Sting, e também atuou contra a construção da Usina de Belo Monte, durante o governo da ex-presidente Dilma Rousseff.

Na Assembleia-Geral da ONU, Bolsonaro afirmou que o cacique é usado como “peça de manobra por governos estrangeiros na sua guerra informacional para avançar seus interesses na Amazônia”. Para mostrar um suposto apoio da comunidade indígena a seu governo, o presidente levou a indígena Ysani Kalapalo, youtuber de direita, em sua comitiva para Nova York. Em resposta, líderes de 16 povos indígenas publicaram uma nota de repúdio à participação de Ysani na agenda internacional, dizendo que ela não tem qualquer representatividade na comunidade indígena.

“Essa é a nossa liderança indígena, esteja onde estiver: no Brasil, em NY, em Genebra. E ele tem mais do que legitimidade”, disse uma das indígenas que acompanhavam a manifestação de Raoni na Câmara.