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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Cai desmatamento no Cerrado

Equipe BR Político

O desmatamento no Cerrado brasileiro entre agosto de 2018 e julho de 2019 diminuiu 2,26% na comparação com o mesmo período anterior (agosto de 2017 a julho de 2018). No período que se encerrou em julho deste ano, o bioma perdeu uma área equivalente a 6.483 km², ante os 6.634 km² devastados no período anterior. Dentro de unidades de conservação, porém, o desmamento cresceu 15% no período: foram desmatados 517 km² em áreas protegidas, ante 449 km² devastados dentro das unidades no período anterior. O Cerrado é o segundo maior bioma brasileiro – e da América do Sul.

Os dados foram divulgados nesta segunda-feira, 16, pelo Inpe, por meio do Projeto de Monitoramento do Desmatamento (Prodes) do Cerrado. Apesar da redução na taxa de desflorestação, a ONG WWF-Brasil ressalta que as taxas atuais equivalem à derrubada de uma área metropolitana de Londres a cada três meses no bioma. O Estado que mais acumula desmatamento, desde o início da série histórica (em 2001), é o Mato Grosso, seguido por Goiás e Minas Gerais.

“O Cerrado vive uma tragédia silenciosa, pois continua a ser destruído por falta de políticas responsáveis. O Código Florestal, por exemplo, mesmo que estivesse de fato sendo implementado (o que não é a realidade), protege pouco o bioma – entre 20 e 35%”, diz, em nota, Mauricio Voivodic, diretor executivo do WWF-Brasil. “O governo federal dá sinais ambíguos aos produtores: se por um lado oferece crédito subsidiado para recuperação de pastagens e intensificação agrícola, por outro edita uma Medida Provisória que legaliza invasões de terras públicas ocorridas até o ano passado (2018), incentivando que a fronteira agrícola siga se expandindo sobre vegetação nativa indefinidamente e de forma ilegal (em terras não tituladas). Precisamos urgentemente acabar com essa ambiguidade e dar um sinal claro de que não vamos destruir a fonte de riqueza da sociedade e dos povos e comunidades tradicionais, que não colocaremos em risco sua biodiversidade única”.

O desmatamento no Cerrado está relacionado, principalmente, à expansão da fronteira agrícola da soja no Centro-Oeste. Ele abriga cerca de 30% da biodiversidade nacional, e 5% de toda a diversidade do planeta. “No entanto, a área protegida do Cerrado é inúmeras vezes inferior à da Amazônia, e a cobertura com vegetação íntegra do bioma já foi reduzida a cerca de 20% da original, com mais da metade de seu território devastado. Seguida essa trajetória, a destruição do Cerrado acarretará uma extinção massiva de espécies, de acordo com artigo da revista Nature (2017)”, diz a WWF-Brasil.

 

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