Imagem da Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Caiado: politizar pandemia é ‘inadmissível’

Vera Magalhães

Exclusivo para assinantes

Um raramente comedido Ronaldo Caiado compareceu virtualmente ao centro do Roda Viva nesta segunda-feira para tentar jogar água na fervura em que seu aliado e correligionário Luiz Henrique Mandetta, que ele mesmo indicou para ocupar o Ministério da Saúde, ardeu o dia inteiro.

Diante do recuo de Bolsonaro, que decidiu, não se sabe por quanto tempo, manter Mandetta no posto, Caiado guardou a conhecida verve explosiva e procurou moderar nas críticas ao governo federal. Pouco mais de duas semanas depois de anunciar seu rompimento com o presidente, quando ele foi às manifestações contra o Congresso no dia 15 de março, já durante a recomendação de confinamento, e depois exortou o comércio e as escolas a voltarem a funcionar, dias depois, desta vez ele elogiou a escolha de ministros “técnicos” e disse acreditar que, de agora em diante, Bolsonaro vai moderar o temperamento explosivo.

Ele contemporizou até quanto aos efeitos da retórica de aliados de Bolsonaro anti-China para o agronegócio, principal setor econômico de seu Estado e aquele do qual o próprio governador é oriundo. Afirmou que não podem ser declarações de algumas pessoas, que não representam o governo, que vão ditar retaliações da China ao Brasil.

Para o governador goiano, é “inadmissível” politizar uma pandemia como a de covid-19, quando a prioridade deve ser salvar vidas. Ele exortou o governo federal a se guiar pela medicina e pela ciência, disse que teria sido muito grave se Bolsonaro tivesse demitido Mandetta antes do auge a contaminação e afirmou que os grandes gargalos enfrentados pelos Estados na tentativa de achatar a curva de contágio têm sido a falta de equipamentos de proteção individual e de respiradores pulmonares.