Imagem da Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

por Marcelo de Moraes

Câmara de SP aprova auxílio emergencial depois de aval de Covas

Equipe BR Político

Após pressão do prefeito Bruno Covas (PSDB) com vistas à reeleição, a Câmara Municipal de São Paulo aprovou em segundo turno, por 45 votos a 2, uma proposta de renda básica emergencial nesta quinta-feira, 22. O texto prevê a transferência de R$ 100 por mês durante três meses ou enquanto permanecer o estado de calamidade pública para paulistanos cadastrados no Bolsa Família e trabalhadores ambulantes inscritos em programa municipal.

O vereador Eduardo Suplicy na Câmara Municipal de São Paulo

O vereador Eduardo Suplicy na Câmara Municipal de São Paulo Foto: Afonso Braga/Câmara São Paulo

Na semana passada, o prefeito indicou apoio ao texto do vereador Eduardo Suplicy (PT), histórico defensor da bandeira, de auxílio emergencial na pandemia protocolado em abril. Na terça, no entanto, surpreendeu o PT e apresentou um substitutivo de um projeto de lei sobre o tema enviado por Fernando Haddad em 2016, desidratando o texto original. Suplicy, que também participou da elaboração do projeto, na época em que era secretário de Direitos Humanos de Haddad, cobrou do prefeito na terça. Mesmo assim, o PT decidiu embarcar no acordo e exaltar o protagonismo do vereador.

Durante a votação, mesmo os partidos da esquerda, que foram a favor do projeto, registraram o protesto contra o que chamaram de caráter “oportunista” da negociação do prefeito, às vésperas da eleição. A proposta da renda básica chegou a ser colocada para votação três vezes na Câmara anteriormente, mas sofreu boicote de vereadores da base de Covas.

Participação especial

Suplicy fez uma participação presencial “especial” no plenário da Câmara para a votação de hoje. Até então, ele participava de forma remota das discussões. “Esta é a primeira vez que venho em sete meses a um plenário da Câmara, porque se trata de um dia muito especial. Até agora eu vinha cumprindo as recomendações dos responsáveis pela saúde. Pedi a meu médico, tendo em conta a importância da votação de hoje se eu poderia vir aqui para acompanhar a votação que felizmente está caminhando na direção de um acordo”, disse. 

O político é pai de um projeto de renda básica que defende há 30 anos. Em 2004, uma lei de sua autoria, quando era senador, que determinava a instituição da renda básica de cidadania, foi aprovada no Congresso Nacional, mas a implementação da medida não ocorreu na prática. / Roberta Vassallo