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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Cancelamento de atos é melhor que fracasso, ponderam aliados

Vera Magalhães

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Aliados do presidente Jair Bolsonaro dentro e fora do governo já ponderam que o gesto que ele está sendo aconselhado a fazer, sugerindo o cancelamento ou adiamento dos atos previstos para o dia 15 em razão dos riscos de aglomerações para a proliferação do novo coronavírus, seria uma saída melhor politicamente do que assumir o risco de as manifestações “floparem” espontaneamente pelo medo das pessoas de se exporem a multidões.

Vários setores do governo e dos movimentos de rua já mapeiam nas redes sociais o temor quanto ao estímulo para a realização dos atos no próximo domingo, que vão na contramão do que todos os países do mundo estão fazendo. Na Itália, até os velórios foram suspensos. Jogos de futebol acontecem sem torcidas, e podem ser cancelados nos próximos dias.

Eventos de organismos multilaterais, como o Fundo Monetário Internacional, foram cancelados. Conferências ao redor do mundo estão sendo desmarcadas. Cruzeiros estão suspensos até que o surto arrefeça.

Para um aliado de Bolsonaro na área política, a pior narrativa para o governo seria que as TVs (a CNN estreia justamente no domingo) e os jornais mostrassem imagens de atos mirrados. Isso daria a sensação de que o apoio ao governo, que chegou a ser pregado oficialmente do púlpito pelo próprio Bolsonaro, é pequeno, a despeito de todo o empenho em demonstrar o contrário.

Mas o presidente ainda resiste em recomendar a não-realização dos protestos, justamente pelo fato de que foi longe demais ao incentivá-las. Teme a manchete do recuo e passar aos movimentos que o apoiam, sobretudo à ala mais radicalizada das redes sociais, que fez um acordo com o Congresso.

Aliados avaliam que o ritmo do aparecimento de novos casos confirmados de Covid-19 no Brasil ditará a decisão do presidente. Se passarem de 100 os casos confirmados até sexta-feira, a expectativa é que o “efeito psicológico” nas pessoas será enorme e os atos estarão naturalmente condenados, o que recomendaria a Bolsonaro fazer o gesto em prol da saúde pública.