Imagem da Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

por Marcelo de Moraes

‘Canibalização’ à esquerda pode ajudar Russomanno

Vera Magalhães

A pesquisa Ibope/Estadão evidencia um fenômeno para o qual alertamos aqui no BRP desde o início da campanha em São Paulo: o congestionamento de candidaturas de esquerda. Na reta final do primeiro turno, essas candidaturas vivem um fenômeno de “canibalização”, com postulantes que correm na mesma faixa tentando crescer mais para tomar a vaga de Celso Russomanno no segundo turno. Mas haverá tempo e votos para isso?

Somados, os candidatos do chamado campo da esquerda têm 31% no Ibope, frente a 20% de Russomanno. No início da corrida, Russomanno detinha 25%, e os quatro nomes da esquerda pontuavam, somados, 17%. A perda de fôlego do candidato do Republicanos não se traduziu em transferência direta para um desses nomes. Seus votos, mais provavelmente, foram pulverizados por várias candidaturas.

O crescimento do campo dito progressista se deve mais ao fato de que existe um eleitorado propenso a votar nele em São Paulo historicamente. Esse público tem sido majoritariamente petista nas últimas décadas. Ele não é homogêneo: existe nas periferias da cidade, onde Jilmar Tatto aposta que vai buscar seu passaporte ao segundo turno, e também no chamado centro expandido, num eleitorado mais escolarizado e de renda mais alta, no qual Guilherme Boulos alcança grande aderência.

Como não há lugar para dois desses nomes na fase final do pleito, o mais provável é que iniciem um movimento de voto útil no eleitorado alheio. É esse o discurso que tanto um quanto outro já faz. Apontado no Ibope com intenções de voto mais robustas que nos demais institutos, Márcio França aposta num tom um pouco mais elevado, mostrando o desgaste do PT e a inexperiência de Boulos e antagonizando de forma mais contundente com Bruno Covas para se mostrar mais competitivos que os rivais no mesmo campo.

Essa canibalização de votos de um mesmo campo pode levar a que haja pouco tempo para que se consolide um oponente claro a Russomanno e Covas que canalize as apostas do eleitorado “vermelho” da cidade. Se isso for conjugado com uma desidratação mais lenta de Russomanno que o derretimento que ele já enfrentou em campanhas passadas, podemos chegar a um cenário em que, na reta final, será impossível apostar em quem passará ao segundo turno.

Tatto e Boulos vão apostar em pregação de voto útil para ir ao segundo turno. Fotos: Divulgação