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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Cantor religioso, vice de Witzel já estava no ‘aquecimento’

Equipe BR Político

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Na era da negação da política, o posto de vice tem sido ocupado por nomes desconhecidos. O do governador Wilson Witzel, Cláudio Castro, que deve assumir a cadeira após o STJ afastar o titular do cargo nesta manhã de sexta, 28, tem trajetória longa e conhecida no meio artístico religioso. Cantor, o ‘02’ do Palácio Guanabara já lançou dois discos solo e, antes, integrava a banda Em Nome do Pai, lembra Caio Sartori, do Estadão.

Cláudio Castro, vice de Witzel. Foto: Dida Sampaio

Cláudio era vereador de primeiro mandato no Rio e tinha trabalhado como chefe de gabinete na Assembleia Legislativa, a Alerj, que ainda vai tocar o processo de impeachment de Witzel. Chegou à parceria com o atual governador meio por acaso. O cantor católico assumiu como missão, no início do governo, lidar com órgãos como o Detran, um dos mais conhecidos pelos esquemas de corrupção dos anos anteriores no Rio. O departamento de trânsito é um dos que tinha, até hoje, forte influência do Pastor Everaldo, presidente nacional do PSC. Ele foi preso na operação.

Querido pelos deputados fluminenses, Cláudio já vinha se preparando para assumir, dada a iminência do afastamento de Witzel. Já tem, por exemplo, uma composição desenhada para seu secretariado, com direito a duas pastas para indicados pelo senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ).

Cláudio passou a se blindar para eventuais operações, como a de busca e apreensão que foi deflagrada hoje contra ele e outros 72 alvos, suspeitos de envolvimento nos desvios na Saúde durante a pandemia. Contratou, por exemplo, um contador, a fim de ajustar possíveis brechas nas suas declarações de renda.

Entenda a denúncia

Witzel foi afastado do cargo por decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) e foi denunciado, junto com a mulher e mais sete pessoas, por corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa envolvendo empresas ligadas à área da saúde. A denúncia aponta pagamentos feitos por empresas ligadas a Mário Peixoto, preso na Lava Jato, e pela empresa da família de Gothardo Lopes Netto, ex-prefeito de Volta Redonda (RJ), ao escritório de advocacia da primeira-dama Helena Witzel, que “foi utilizado para escamotear o pagamento de vantagens indevidas ao governador, por meio de contratos firmados com pelo menos quatro entidades da saúde ligadas a membros da organização criminosa e recebimento de R$ 554.236,50, entre agosto de 2019 e maio de 2020”.

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