Imagem da Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Canuto: muita grana e pouco voto

Vera Magalhães

A queda de Gustavo Canuto do Ministério do Desenvolvimento Regional pode até parecer surpreendente, mas era uma bola cantada no Congresso e internamente no governo. Ele era considerado um ministro que conseguia “muita grana e pouco voto”. Em outras palavras: ele conseguiu vultosas liberações de recursos do Orçamento, que não se convertiam em apoio político nas bancadas para o governo.

Ex-ministro de Desenvolvimento Regional, Gustavo Canuto

Ex-ministro de Desenvolvimento Regional, Gustavo Canuto Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

Por ser uma das pastas com maior capilaridade regional e capacidade de entrega “na ponta”, a pasta que resultou no vitaminado Desenvolvimento Regional sempre teve muita proximidade com o Congresso. Não nos esqueçamos de que a antiga pasta das Cidades, uma das campeãs de popularidade entre os partidos nos governos do PT e Temer, está agora no guarda-chuva que era de Canuto e agora passará a Rogério Marinho.

Cansado de ouvir críticas à baixa resolutividade do auxiliar, Bolsonaro resolveu ceder aos apelos externos pela troca. Contou a favor da mudança o status adquirido por Marinho na reforma da Previdência. Tanto que ele chegou a conversar com o presidente entre dezembro e janeiro e esteve na iminência de ganhar a Casa Civil.

Mas Bolsonaro resolveu dar uma nova chance, e nenhum poder nem cartaz, a Onyx Lorenzoni. Enquanto isso, vai testando Marinho no primeiro escalão e o deixando assumir atribuições na articulação política. Pode ser uma porta de entrada sua para o Planalto.