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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Carla Zambelli em maio: ‘Eu me preocuparia com Helder Barbalho’

Vera Magalhães

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Mais uma vez, uma previsão da deputada federal Carla Zambelli (PSL-SP) sobre operações da Polícia Federal se concretiza.

A deputada Carla Zambelli

A deputada Carla Zambelli Foto: Pablo Valadares/Câmara dos Deputados

Em 26 de maio, um dia depois de dizer, na Rádio Gaúcha, que ocorreriam operações da PF mirando governadores, algo que se concretizou exatamente no dia seguinte, com a deflagração da Operação Placebo, que mirou o governador do Rio, Wilson Witzel (PSC), ela foi à CNN se explicar e negar que tivesse informações privilegiadas a respeito das ações do órgão.

Mas, como sempre acontece em se tratando da deputada bolsonarista, acabou se empolgando e dando mais pano para a manga. Zambelli tratou de elencar outros governadores que deveriam se “preocupar” em ser alvos de visitas da PF, e incluiu na lista o do Pará, Helder Barbalho (MDB), que nesta quarta-feira, 10, é um dos atingidos pela nova leva de investigações de suspeita de superfaturamento na compra de respiradores.

De novo: é papel da PF investigar com rigor suspeitas de desvios de recursos públicos, sobretudo numa pandemia. O que é bastante inusual e indício de prática não republicana é uma deputada da base aliada do governo deter informações prévias sobre operações.

Na CNN, Carla Zambelli disse: “Eu me preocuparia com o Barbalho, não só pelo superfaturamento, mas eu acho que corre no sangue a questão da corrupção. Acho que vem de pai para filho”.

O governador do Pará é filho do senador Jader Barbalho, e ambos são do MDB. Barbalho foi investigado por várias suspeitas de corrupção nos anos 1990 e 2000.