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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Como minar as instituições

Vera Magalhães

O tuíte de Carlos Bolsonaro segue rendendo análises na imprensa. Falei mais alentadamente a respeito dele e de suas implicações na minha coluna desta quarta-feira no Estadão. Aqui no BRP, ontem, já tinha cobrado que Jair Bolsonaro se manifestasse de forma dura e inequívoca contra a relativização da democracia feita pelo filho no Twitter. O editorial do Estadão nesta quarta vai nesta linha.

O vereador carioca Carlos Bolsonaro (PSC-RJ), filho do presidente Jair Bolsonaro, em entrevista com jornalistas

O vereador carioca Carlos Bolsonaro (PSC-RJ). Foto: Dida Sampaio/Estadão

Na coluna, eu mostro que a manifestação de Carlos representa um duplo cavalo de pau: investe nas frustrações da sociedade para minar as instituições (o caminho pelo qual as democracias são corroídas hoje) e cria uma cortina de fumaça para o fato de que é Bolsonaro, deliberadamente, quem investe contra as “transformações” que prometeu ao menos em um campo, o do combate à corrupção.

Na Folha, Bruno Boghossian também aponta que a estratégia de dinamitar a credibilidade das instituições é o principal caminho que leva populações insatisfeitas, muitas vezes, a apoiar golpes ou autogolpes ou supressão de prerrogativas a partir do apelo do governante populista. Ele usa o caso de Alberto Fujimori no Peru de 1992 e compara o teor de uma manifestação do ex-presidente com o tuíte do filho de Bolsonaro.